A Nova Oportunidade de não voltar a generalizar

Em campanha eleitoral as palavras dos candidatos podem fazer estragos irrecuperáveis. Uma expressão menos feliz, uma gafe ou um disparate pode mudar o curso das coisas. Da mesma maneira uma verdade dita de forma menos habilidosa pode servir para os adversários trucidarem quem a profere. Parece que foi isto que aconteceu a Passos Coelho sobre o tema das Novas Oportunidades.
Há muito que o tema da qualificação dos portugueses faz parte dos programas eleitorais e da acção dos governos. Nem sempre as coisas têm sido feitas do modo mais difícil, porém mais meritório. A tentação pelos números e pelas estatísticas é grande e muitas vezes levam ao facilitismo ou mesmo à farsa..
Nas Novas Oportunidades devem ter sido qualificadas muitas pessoas que mal sabem ler e escrever. Algumas dessas pessoas pouco ou nada aprenderam mas no fim tiveram direito ao diploma e à qualificação e engrossaram as estatísticas com que Sócrates se vangloriou ao mesmo tempo que distribuía Magalhães pelas crianças do nosso país.
Porém, para além destas pessoas que pouco ou nenhum mérito tiveram e praticamente nada aprenderam, há aqueles que se esforçaram, que aprenderam que se sacrificaram e naturalmente se qualificaram com todo o merecimento e esmero. Quero acreditar que foram a maioria.
Como Passos Coelho não distinguiu uns dos outros, pelo menos não percebi que o tivesse feito, meteu tudo no mesmo saco. No pior saco. No saco dos ignorantes. Alguns estão lá muito bem, mas não são todos.
Agora as opiniões vão dividir-se e até extremar-se em redor deste tema. Talvez Passos Coelho tenha arranjado uma zaragata com muitos dos qualificados pelas Novas Oportunidades. E explicar o assunto a partir de agora não vai ser fácil, porque Sócrates aparecerá sempre a aproveitar-se demagogicamente do assunto, conforme já o fez.
Teria sido mais prudente, do ponto de vista eleitoral e político, não terem sido utilizadas expressões tão fortes. É que os ignorantes também votam e o voto deles vale tanto como o de Passos Coelho. A democracia é mesmo assim. São todos iguais e não se distinguem em função da qualificação dos eleitores.

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