sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A escumalha


Eu tenho respeito por todos os movimentos da cidadania, mesmo aqueles com que posso não estar de acordo. Tenho igual respeito por aqueles que decidem fazer greve, sejam quais forem as suas motivações e muitos têm-nas e são totalmente legítimas. Eu nunca fiz greve, mas também não posso garantir que um dia não farei. É uma questão de opção. Se um dia fizer, tenho a certeza que não será para apedrejar quem quer que seja.
No meio de tudo isto, não consigo ter respeito e apenas me sobra o repúdio, por aqueles que a pretexto de uma situação de contestação promovem a violência e a desordem, a título gratuito e sem qualquer contenção.
Reportando ao caso concreto da última manifestação da CGTP, facilmente se percebeu que em frente ao Palácio de São Bento existiam várias realidades. Estavam lá as pessoas que estão preocupadas com a situação e acham que é através de manifestações e gritaria que se resolvem os problemas de um país falido deixado à beira da bancarrota, mas misturados com elas estavam bandos de marginais, gente que vive e convive com a provocação e a desordem e não desejam outra coisa que não seja a implosão da democracia, da liberdade e da segurança dos cidadãos.
Para além destes estavam também aqueles que têm como missão defender a ordem pública, ou seja as autoridades policiais.
Em 2004, era Sarkozy ministro do Interior do governo francês e vivia-se em Paris momentos de grande agitação e violência, principalmente na zona dos subúrbios. Grupos de jovens mais ou menos organizados semeavam o pânico, agrediam polícias e bombeiros, lançavam fogo a automóveis, lojas e caixotes do lixo, entre outras patifarias. Faziam-no a pretexto ou a reboque da contestação às condições de vida que se estavam a degradar progressivamente. Sarkozy na altura identificou esta gente com a palavra «recaille», em português: escumalha.
Como é óbvio a dita não é exclusiva de França nem de outro país qualquer. Nós também temos alguma, mas a nossa parece estar bem defendida e salvaguardada.
Hoje li nas notícias e na Internet relatos de gente que esteve na manifestação, com posições que são no mínimo curiosas. Condenam o apedrejamento que foi feito à polícia, mas ao mesmo tempo justificam-no e consentem-no. Estou a falar de pessoas com motivações políticas e partidárias de esquerda. Extrema-esquerda, por sinal. Mas não tinha ainda ouvido tudo. Hoje ouvi o resto. Há um movimento intitulado de Precários Inflexíveis que só de facto inflexíveis são em relação à mais absoluta e completa estupidez. Questionado várias vezes um dos seus representantes por um jornalista da TSF, sobre a sua posição em relação à escumalha que atirou pedras à polícia, não foi capaz em um só segundo de manifestar reprovação, bem pelo contrário. Nem a CGTP foi capaz de ir tão longe.
Eu não sei se estas pessoas têm a noção exacta da legitimidade das suas convicções, mas quando passam a mão pelo pêlo de tipos que a poucos metros da polícia jogam pedras e objectos em chamas para causar dano, não é apenas às forças de autoridade que estão a agredir, é a todo um povo que não abdica de viver em Liberdade e Democracia.
Quem passa a vida com os valores do 25 de Abril na boca e os usa para tudo e mais alguma coisa, devia saber que esta gente não tem nada a ver com um conceito de revolução que visa devolver direitos e garantias à população. As motivações desta canalha são a implosão do Estado de Direito, o alastrar de um clima de anarquia onde quem não se consegue defender, acaba agredido ou pior do que isso. Quem joga uma pedra de calçada a uma pessoa, tem de ter noção que a pode matar. E quem tem intenção de matar, mesmo sem o conseguir fazer, deve ir preso porque é criminoso.
Quando os intelectuais de esquerda que temos por cá branqueiam este conjunto de circunstâncias, outra coisa não fazem que não seja conferir legitimidade pública a criminosos. Se ontem estivessem na frente da polícia skin-heads de movimentos da extrema-direita, caía o Carmo e a Trindade. Mas aquela escumalha mal encarada que esteve ontem na frente da manifestação no momento em que a polícia carregou tem alguma diferença dos cabeças rapadas? Só se for em meia dúzia de convicções porque no resto são farinha do mesmo saco. São escumalha. Não há como os rotular de outra forma. E devem ser presos, porque são perigosos para a sociedade, para a democracia e para a liberdade de todos nós que somos cidadãos ordeiros.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.