quarta-feira, 27 de julho de 2011

O óbvio resultado das eleições do PS

Conforme era do conhecimento da esmagadora maioria dos portugueses, António José Seguro veio a confirmar a sua vitória, o que a mim me deixa muito tranquilo e satisfeito.
Conforme escrevi aqui, com um PS atado de mãos e pés ao memorando de entendimento com o troika, com o país a necessitar de estabilidade política como pão para a boca e se o actual governo não perder o sentido da responsabilidade e o rumo que necessita prosseguir, os socialistas já têm um bom líder para ficar pelo menos oito anos na oposição.
Pese embora a não novidade do vencedor mais do que óbvio, o resultado eleitoral foi muito díspar. Não estava à espera que Francisco Assis fosse derrotado por tanta diferença. A justificação que tem sido dada para a sua má prestação, dá vontade de rir mas talvez tenha alguma razão de ser.
Aparentemente Assis era a candidatura que representada o legado de Sócrates e a de Seguro o seu contrário. Se nos lembrarmos que Sócrates foi a eleições internas e a congresso ainda este ano tendo conseguido um resultado estilo norte-coreano, o que aconteceu entretanto para tão grande descalabro daquele que era o seu identificado sucessor? É muito simples: até no PS já se sabia o desvario que era ter um secretário-geral como Sócrates, mas ninguém o enfrentava porque era primeiro-ministro e à sua roda gravitavam os muitos lugares da circunstância de se ser governo. Ou seja, o aparelho estava instalado e bem. Como reconhecer o problema podia significar a perda dos lugares, então deixa estar como está. Mas e o país? O país que se lixe – pensaria a clientela socialista bem sentada e acomodada. Mas isto um dia cai? Eles sabiam, mas enquanto o pau vai e vem, as costas descansam.
Só que o pau veio mesmo e bateu com força, derrubando a oligarquia rosa que estava instalada em Portugal.
Na noite de 5 de Junho, os socialistas perceberam que iam mesmo mudar de vida o que os deixou terrivelmente aborrecidos. E quem era o causador de tal aborrecimento? Sócrates, naturalmente.
Sendo assim, qualquer candidato às eleições no PS que fosse rotulado como representante dos escombros do socratismo, tinha os dias contados. Roma não paga a traidores e o PS não perdoa a quem lhe retira o sustento.
No meio disto tudo sobra Francisco Assis, que na minha opinião é um político muito acima da média daquilo que temos no panorama nacional. Foi um homem que passou pelas autarquias, ganhou eleições, esteve no parlamento europeu, voltou a dar a cara em desafio complicado como foi a candidatura contra Rui Rio no Porto e teve a brutal habilidade de ser líder parlamentar de um partido que suportava um governo com um primeiro-ministro que afundava o país a cada dia que passava. Para além disso, Assis tem, na minha opinião, características muito interessantes do ponto de vista político. É inteligente, tem capacidade de argumentação, tem ideias que mostram alguma inovação e é corajoso. É um caldo que depois de mexido pode dar perfeitamente um bom político.
Mas o PS não quer nada disto. O PS é um imenso aparelho que olha mais para o seu umbigo, em vez de o fazer para a circunstância que o rodeia. Tem um sentimento de gratidão para aqueles que mais gosta e se sente melhor representado. E nisto Seguro levava clara vantagem em relação a Assis, por muitos anos de militância activa junto das secções, dos militantes e dos dirigentes. Fez a escola da juventude partidária e conhece certamente toda a gente, tal como o conhecem a ele, com a devida excepção de António Costa que não sabe quem é o Seguro.
Como tal, deixai-os estar assim que estão muito bem.

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