quarta-feira, 13 de julho de 2011

Debate sem história

Vi ontem já fora de horas e em diferido o debate entre Seguro e Assis na SIC Notícias, coisa que pela televisão não voltará a acontecer porque o futuro secretário-geral do PS, o Seguro, tem receio, medo, pavor, que o vejam em debates na medida em que não tem nada para debater.

Não consigo ter uma opinião muito concreta do debate por duas razões: a primeira porque me deu uma sonolência terrível ver dois tipos a falar das mesmas coisas de sempre, dos laboratórios de ideias, dos gabinetes de estudos que ninguém sabe bem para que servem, da necessidade de ouvir militantes e simpatizantes e de mais um conjunto de tretas que são ditas em eleições internas em quase todos os partidos. A segunda porque qualquer um dos dois está tão preso a um partido que caiu no descrédito dos portugueses, graças a Sócrates e aos que lhe seguiram no rumo de deixar Portugal de pantanas, que qualquer coisa que digam soa a anedota de alentejanos. Logo por ali nada de novo e é bom que se vão habituando a um longo período na oposição.

Tive apenas um pequeno momento de maior atenção quando os dois se picaram, já nem sei bem porquê. Aí Seguro mostrou um ar de virgem ofendida e Assis de rebelde temerário.

Mas o que é mesmo hilariante nos dois é o debate que fazem em relação às parecenças de Seguro com Passos Coelho. Não sei se Seguro sabe cantar ou se é do Benfica. Se for assim, então há parecenças. Caso contrário não encontro nenhuma outra entre o futuro líder do PS e o actual primeiro-ministro. Mas acho curioso que os dois debatam a questão da parecença ou não, o que só demonstra a importância que dão à figura alheia do líder do PSD que, apesar de ausente da purga por se encontrar a apanhar os cacos de um Portugal quase desfeito pelas cabeças troncos e membros de ilustres e venerandas figurinhas do socialismo moderno nacional, consegue condicionar o debate.

Em suma, foi um debate que ninguém recordará, da mesma forma que Seguro não deixará boas lembranças ao PS quando os seus militantes perceberem a vacuidade política do mesmo e o puserem a mexer.

Mas que não se deixe de tirar ilações desta eleição. E para mim há uma que é óbvia: o que parece ser melhor e mais simpático para o partido, nem sempre ou quase nunca é o melhor para o país. Estou convencido que os portugueses preferiam ver à frente do PS um líder menos próximo dos piores defeitos do aparelho partidário, pântano onde Seguro navega bem.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.