quarta-feira, 20 de julho de 2011

Não me conformo

Nunca tive qualquer esperança que o PSD, depois de chegar ao governo, não continuasse o processo de colocar portagens na Via do Infante, até porque foi ele quem de alguma forma ajudou a despoletar a situação, quando nas SCUTs do norte foram introduzidas estas medidas de pagamento pela sua utilização. Sócrates aproveitou na altura a boleia e mandou portagens também para o Algarve.
Deu-se então a circunstância, e isso tem relevo para o assunto, de o PS ter perdido as eleições e o PSD ter ganho. Como nos programas nem era feita qualquer referência ao assunto, ficou claro para mim que independentemente de quem viesse a ganhar as legislativas, nós os algarvios íamos gramar com a pastilha de pagar por uma estrada onde uma boa parte dela já foi paga pelos fundos europeus e pelo dinheiro dos nossos impostos.
O PS começou por querer vender-nos a história das portagens com uma alegada requalificação da comummente denominada EN125. Participei pessoalmente nalgumas reuniões de desenvolvimento do projecto, as suficientes para saber que vão passar muitos anos até que a 125 seja uma estrada minimamente decente, coisa que actualmente não é. Para os menos esclarecidos sobre o assunto, convém referir que após esta requalificação a 125 terá tantas rotundas que duvido que nalguns (muitos) troços da estrada, seja possível circular a mais de 50 Km/hora. Mas isso é outra história.
O que conta é que os algarvios vão em breve pagar portagem na Via do Infante sem terem qualquer outra alternativa que possa, não digo servir de exemplo na Europa civilizada mas pelo menos não nos envergonhar por completo.
Como simples cidadão que gosta da sua região, desejava ver os principais responsáveis políticos da nossa região a continuarem a bater o pé a esta medida, não se conformando com a decisão deste e do anterior governo.
Eu ouvi e li os argumentos pelos quais se conformam, mas acho que não constitui novidade para a esmagadora maioria dos portugueses, e por maioria de razões par aos mais informados, o estado caótico a que chegaram as finanças públicas do país, há um ano a esta parte. Ninguém precisou da troika para saber que Portugal estava de pantanas. Só quem andou distraído ou não quis ver, se espantou com as conclusões do documento que serviu de base ao empréstimo que nos salvou temporariamente da bancarrota. Como tal não há nenhum facto novo, ou por outra, há um: o governo mudou.
Não mudar de opinião, manter a posição contrária à medida, mas baixar os braços, nesta altura do campeonato, cai mal na opinião pública porque fica a ideia que ontem não se conformavam porque o governo era PS e hoje já o fazem porque é PSD. Ora eu, sendo certo que a minha opinião de nada vale, não me conformo. Podem obrigar-me a pagar, mas eu não me conformo. Porque conformar é parar de lutar. Conformar é ceder. E ou se cede porque nos apontam uma alternativa melhor ao problema que está criado ou então fica a ideia do tipo “se não podes com eles, junta-te a eles”.
Na 125 vai aumentar o tráfego e consequentemente a sinistralidade, porque aquela avenida que cruza longitudinalmente a região já não dá para as encomendas. Só quem não circula todos os dias na 125 é que pode pensar que ela vai resolver os problemas de circulação no Algarve depois de requalificada. É falso. Vão morrer mais pessoas por ano do que actualmente acontece.
Quanto a nós algarvios, vamos perder qualidade de vida porque alguém estoirou o país e porque quem veio para o salvar só sabe recolher receitas nos bolsos dos mesmos de sempre.
Como tal, não me conformo.

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