sexta-feira, 1 de julho de 2011

O nosso destino é pagar impostos

Durão Barroso, José Sócrates e Pedro Passos Coelho. O que há em comum entre estes três homens? Prometeram uma coisa em campanha eleitoral e fizeram outra. É a triste sina da política portuguesa.
Barroso com o seu choque fiscal, Sócrates com o aumento do IVA e Passos com o corte no subsídio de Natal. Dir-se-á que só o fizeram porque tinham mesmo de o fazer para evitar situações de ruptura orçamental. Talvez. Mas semanas antes tinham estado a dizer aos eleitores que não o fariam e daí a indignação.
Eu que já acredito em quase tudo, só me resta concluir que o descaramento não tem mesmo limites.
Perante isto só vejo uma solução: que a mentira dê perda de mandato. Explico melhor.
Um candidato a primeiro-ministro faz um conjunto de promessas aos eleitores. Para isso servem os programas eleitorais. Pois bem, deviam ser obrigados a fazer apenas o que vem escrito nos programas e os mesmos não poderiam conter generalidades nem banalidades como foi bom exemplo o do PS nas últimas eleições. No documento têm de constar medidas objectivas, escritas em português claro que toda a gente entenda, como fez a troika. Quem ganhar as eleições tem de se cingir a essas medidas. Se aplicar outras que sejam penalizadoras para os eleitores, nomeadamente em matérias que afectam directamente o rendimento e o bem estar das pessoas, perde o mandato e vai para casa dedicar-se à pesca da mucharra ou à apanha de amêijoa e do berbigão.
Isto não é caricatura. É o fôlego final da falta de credibilidade a que está a chegar a política e os políticos.
Mais uma vez são os mesmos de sempre a pagar. Os funcionários públicos e os trabalhadores por conta de outrem. Dir-se-á que esta medida agora apresentada atinge também, em sede de IRS, os profissionais liberais e os empresários. Nalguma coisa acredito que sim. Mas na totalidade como acontecerá aos que descontam até ao último cêntimo os seus impostos, porque não têm por onde escapar, sinceramente duvido.
Também reparo com angústia que a falta de imaginação é generalizada e aumenta exponencialmente após as eleições. Enquanto estão na oposição são criativos. Quando chegam ao governo aplicam as mesmas medidas de sempre que nunca são em relação à diminuição da despesa supérflua do Estado, mas sim no aumento da receita fiscal. É muito mais fácil meter a mão no bolso dos cidadãos. É muito mais difícil cortar nas mordomias, nos salamaleques e na chamada “gordura” que não é mais do que aquilo que ninguém abdica para garantir que o Estado funciona, triturando o dinheiro dos contribuintes.
Sócrates já tinha retirado aos funcionários públicos o subsídio de Natal, uma vez que os cortes salariais que fez, no seu somatório, correspondem grosso modo a isso. Passos Coelho vai tratar do resto.
Está percebido que vamos ter de nos habituar a viver com menos, nalguns casos muito menos. Mas só alguns têm este castigo. Muitos continuarão a viver dos lucros especulativos, da fuga aos impostos, de rendimentos não declarados e de outras artimanhas da engenharia financeira. Lá diz o povo e bem que quem se lixe sempre é o mexilhão.
Da parte que me toca ainda não perdi a esperança de ganhar o Euromilhões, porque a trabalhar já percebi que dificilmente terei uma vida tranquila, uma vez que parte significativa do que ganho fica no Estado para pagar as loucuras de alguém, neste caso concreto do supostamente licenciado em Engenharia Civil.

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