terça-feira, 31 de maio de 2011

Um país de Futres

Paulo Futre foi um génio a jogar futebol que na minha opinião teve azar de ir para a um clube como o Atlético de Madrid, numa altura em que o principal campeonato era o de Itália. Ao que se sabe esteve perto de ingressar no AC Milan mas os milhões de Jesus Gil e um “lindo” Porche amarelo chegaram mais cedo ao Futebol Clube do Porto.
Após uma carreira que foi muito importante para o futebol português, Futre teve uma experiência de dirigente no Atlético de Madrid, com altos e baixos. Depois disso praticamente desapareceu dos holofotes mediáticos. Surge agora após uma conferência de imprensa onde outra coisa não fez que dar pontapés na gramática, delirar com cenários que pareciam saídos de uma rábula dos Gatos Fedorentos e por fim demonstrar que tinha jeito para muita coisa menos para tratar da organização de uma estrutura de futebol, mesmo a do Sporting.
Após ter percebido o efeito mediático que as suas baboseiras alcançaram, Futre tentou passar para opinião pública a ideia que tudo aquilo tinha sido premeditado, com o intuito de superar o choque que o país estava a viver com a demissão do Sócrates. Na parte que me toca, conforme devem imaginar, chorei desalmadamente de tristeza nesse dia.
Ou seja, quis nos convencer que afinal fala correctamente português, conjuga de forma acertada os tempos verbais – “vai vir chartes” é uma espécie de pérola linguística só comparável com as novas regras do acordo ortográfico - está perfeitamente ciente das novas exigências da organização de um clube e sobretudo tem uma visão estratégica da forma como o pode projectar nos grandes mercados onde o dinheiro brota por todos os cantos.
Neste chop suey de disparates, servido à mesa para chinês se deliciar, o que estranha mesmo é o hiper-fenómeno que à sua volta se gerou, ao ponto do seu livro estar no primeiro lugar do top de vendas da Bertrand. Mas não só. Futre tem sido convidado para tudo quanto é programa de rádio e televisão, fez anúncios publicitários e no domingo estava em cima do palco do Coliseu dos Recreios a apresentar um dos prémios dos Globos de Ouro e a babar-se para cima da Bárbara Guimarães, perante o olhar incomodado do seu marido Manuel Maria Carrilho. Normal. Não é fácil ver um pavão armado em Don Juan a galar a própria mulher e com Portugal inteiro a assistir.
Entretanto as suas principais expressões proferidas na famosa conferência de imprensa entraram para o anedotário nacional e são hoje utilizadas com frequência pelos portugueses. Eu próprio o faço, porque também tenho os meus defeitos e não me ponho de fora a pensar que o mal é só dos outros.
Haverá mérito nisto? Sim. O mérito do quanto pior melhor que parece ser hoje e cada vez mais um factor de nivelamento nas escolhas dos portugueses. Longe não virá o tempo em que alguém ficará famoso e conhecido por ter a arte e o engenho de soltar gases em público, as vezes que quiser, assobiando ao mesmo tempo para marcar o ritmo da performance. De seguida escreverá um livro para explicar a técnica e fará campanhas publicitárias para marcas de ambientadores domésticos perfumados.
Esta é uma espécie de gosto pelo masoquismo social, político e cultural que está cada vez mais evidentes nos dias que correm. Ficamos embevecidos pela parvoíce alheia e premiamos quem é mais tonto ou mais badalhoco. Em vez de termos referências de elevação, excelência e competência, preferimos ficar amarrados a clichés e ao estereotipo do quanto pior melhor. Por tudo isto e porque por vezes parecemos um imenso país de Futres, não admira que a poucos dias das eleições legislativas, estejamos ainda na dúvida se Portugal vai entregar o governo da nação ao pior primeiro-ministro de sempre que nos levou à bancarrota e ao descrédito internacional.

domingo, 29 de maio de 2011

Bestas à solta

Parece que não valeu a pena ao energúmeno que filmou a jovem de 13 anos a ser agredida por outras duas raparigas. Foi detido e arrisca-se a uma pena de prisão.
Também estou em crer que as duas selvagens que espancaram ao pontapé a vítima, já devem estar a fazer contas de cabeça a tudo o que vão perder, por via de uma condenação que parece ser mais do que óbvia.
Posto isto e na expectativa que a Justiça seja exemplar, é preciso deixar sinais para o futuro.
Toda a vida existiu violência juvenil. Mas há fenómenos que só agora se tornam mais óbvios e que consistem na publicitação do acto criminoso em si. A pequena besta que se divertiu a filmar a cena de pancada, é tão estúpida que achou que colocar o vídeo para toda a gente ver seria um acto de grande coragem. Devia estar a concorrer para o Óscar de Melhor Realizador da Academia de Cinema da Reboleira. Foi exactamente isso que o tramou, bem como às suas colegas de crime. Porque tem 18 anos e currículo criminoso, não será de estranhar que vá passar, durante uns tempos, umas férias forçadas a um estabelecimento prisional, onde certamente irá misturar-se com outros criminosos iguais ou piores que lhe ensinarão o resto do bê-à-bá para quando sair em liberdade poder voltar às lides.
Em relação às duas miúdas, uma delas com menos de 16 anos, a esta hora já devem estar arrependidas de em vez de espancarem a colega, não terem ido aliviar o stress batendo com a cabecinha contra a parede, várias vezes até ficarem calmas. Era mais doloroso para elas mas pelo menos não dava direito a cadeia.
Espera-se agora que não fique impune este crime que todos os dias é cometido noutras versões por este Portugal fora, em que jovens mais velhos e mais fortes fazem dos seus colegas mais fracos e mais indefesos, sacos de pancada. Talvez sirva de exemplo para futuros agressores que espancar alguém é crime.
Pese embora a natureza do crime cometido não necessitar da apresentação de uma queixa, na medida em que sendo público basta que as autoridades tenham conhecimento dele, continuo sem perceber a passividade da mãe da criança agredida. Precisou de tempo para chegar à conclusão do que deveria fazer. Até nisso as carrascas da jovem agredida tiveram sorte. O que não falta por aí são pais que ao verem um filho seu a ser espancado daquela maneira, fariam justiça com as próprias mãos. Ou com os pés, para retribuir o “carinho”.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Os manifestantes anti-Sócrates

Ontem em Faro, Sócrates teve de gramar com uma manifestação que o tratou com uma série de mimos a propósito das portagens da Via do Infante e de outros assuntos relacionados com a governação. Nessa manifestação estavam pessoas ligadas, pelo menos, ao Bloco de Esquerda, porque eu vi.
Não vale a pena dizer que a acção foi espontânea porque isso só serve para entreter pacóvios. Estas coisas fazem-se de forma premeditada e com um determinado objectivo. Foi preparada com antecedência e as pessoas que estavam a manifestar-se não tinham ido comer um gelado à baixa de Faro e ao verem Sócrates resolveram parar para lhe chamar gatuno. Estavam lá porque tinham motivos para se deslocarem ao comício do PS.
Pessoalmente não acho bem este tipo de acção, porque deve haver espaço para o partido que organiza um comício o possa fazer de modo tranquilo e sem incidentes. A democracia implica respeito e o que os manifestantes fizeram foi não respeitar a iniciativa dos socialistas. Porém, o PS merece isto e muito mais.
O PS quando está na oposição usa e abusa destes expedientes, incentiva-os e aproveita-se deles para retirar dividendos políticos. Na questão muito particular das portagens da Via do Infante tudo isto se torna ainda mais evidente e merecido.
Nem preciso ir muito longe. Quando Santana Lopes era primeiro-ministro – de muito má memória – houve uma primeira manifestação de contestação às portagens na Via do Infante que o então ministro Mexia queria instalar. Nesse dia, a Avenida 125 ficou completamente bloqueada e havia filas de trânsito de dezenas de quilómetros. Na manifestação, para além dos cidadãos normais e sem filiação partidária e outras pessoas que sendo do PSD tiveram liberdade de espírito para se manifestar, nas quais incluo o actual cabeça de lista Mendes Bota, estavam militantes e dirigentes do PS a cavalgar a onda da contestação.
Juravam a pés juntos que portagens nem pensar. O próprio Sócrates chegou muitas vezes a referir, aquando da sua primeira eleição, que não colocaria portagens na Via do Infante. Eis se não quando deu o dito por não dito, coisa muito frequente nele, e mandou colocar. Sendo assim não é de estranhar a reacção das pessoas.
Dirão os dirigentes do PS que esta manifestação é ilegal, por ter sido feita junto a um comício partidário devidamente autorizado, e que foram proferidos insultos ao seu querido líder. Mas queriam o quê? Que os manifestantes tivessem ido àquela hora gritar palavras de ordem contra as portagens para o Cerro de São Miguel? Ou que em vez de chamarem gatuno tivessem chamado senhor gatuno? O PS tem assim a memória tão curta que já se tenha esquecido de outras manifestações contra governos do PSD em que ficaram de fora a assistir, a rir e daí retiraram dividendos políticos? Por amor da santa. Ao menos sejam intelectualmente honestos e reconheçam que é totalmente legítima a indignação dos algarvios em relação a esta questão das portagens e que o PS foi o partido que prometeu que as mesmas não seriam colocadas, ainda mais com a Avenida 125 como está actualmente em que alguns dos seus troços estão mais adequados para a prática do BTT do que para a circulação de carros.
O PS tem aquilo que merece. Cá se fazem, cá se pagam.
A cereja em cima do bolo foi ver o inenarrável Santos Silva, também conhecido como o único titular da pasta da Defesa que em 37 anos de democracia faltou ao respeito ao Presidente da República, a tentar culpar o PSD do sucedido em Faro. Este senhor, que de Santo apenas tem o nome, só faltou dizer que os putos que agrediram a miúda em Lisboa no outro dia eram todos mandados pelo Pedro Passos Coelho.
- Vai já mas é andando!!!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Calai-os depressa

Já se percebeu que não vale a pena tirar conclusões das sondagens sobre quem vai ganhar as eleições. Em condições normais Sócrates não teria mais do que 15%, mas as condições não são normais, bem pelo contrário.
Também em condições supostamente normais Passos Coelho deveria estar acima dos 43%, que é mais ou menos a fasquia da maioria absoluta. Também não é isso que se passa.
Se em relação a Sócrates as razões do seu score são tão estranhas como alguém achar que o Bibi daria um excelente Provedor da Casa Pia de Lisboa, já no caso de Passos Coelho, parece ser mais óbvia a razão de não ter mais intenções de voto.
Usando as palavras do Portas, o líder do PSD foi esmagado pelas declarações do triunvirato Catroga, Sarmento e Arnaut. Cada um disse o seu disparate. Catroga fez a apologia dos pêlos púbicos que é uma originalidade da retórica política. Aproveitou também para comparar Sócrates com Hitler e não foi ao no nível do bigode ou do penteado.
Sarmento tentou levar o líder do PS ao tapete, comparando-o com o falecido Saddam Hussein. Também não creio que tenha sido pelas características do bigode.
Arnaut, parece ser fã da saga Twilight ou Lua Nova, e fez a analogia entre o primeiro-ministro e um vampiro. Já estive a reparar com atenção nos caninos de Sócrates e são tão normais quanto os meus.
Ou seja, o PSD, através de alguns dos seus mais destacados militantes, tem aberto as torneiras dos disparates e isso, acredito, é capaz de ter alguma influência naquelas pessoas que estando indecisas com o seu sentido de voto, olham com desconfiança para o partido laranja.
Mas isto tem solução. É calar toda a gente. Deixar Passos Coelho falar ao país sem ruído de fundo desta rapaziada que outra coisa não faz do que alimentar o seu ego político e a sua vaidade pessoal. O líder do PSD vale muito mais do que qualquer um deles. As pessoas simpatizam muito mais com Passos do que com eles todos juntos e a sua imagem é infinitamente maior do que o somatório de todas as boas acções que este triunvirato já praticou na vida. Como tal, calai-os ou mandai-os de férias para o Sri Lanka.
Passos Coelho merece ganhar estas eleições com maioria absoluta para governar tranquilamente o país. Que não sejam os militantes mais mediáticos do seu partido a o impedirem de concretizar este desiderato.

terça-feira, 24 de maio de 2011

A trapalhice

Desde que me lembro que há movimentações de pessoas de um lado para o outro para assistirem a comícios. Recordo-me dos comícios de rentrée do PSD, conhecidos por Pontal, feitos nas docas de Faro onde chegavam pessoas que vinham de outras paragens. Com o PS passava-se exactamente a mesma coisa.
Na célebre disputa Ponta/Pontinha das eleições legislativas de 1995 – que ditaram a vitória de Guterres e a derrota de Nogueira – as pessoas que assistiam aos comícios não era apenas locais. Algumas vinham de fora para fazer número. Mas quem era estas pessoas? Eram sobretudo militantes e simpatizantes do PSD e do PS que se mobilizavam e organizavam excursões, não sei se pagas por eles ou pelos partidos mas isso também não é importante, para poderem assistir aos comícios dos seus partidos. Traziam inclusive faixas onde se lia o nome das concelhias a que pertenciam. Afinal de contas era o momento político de recomeço da temporada e isso implicava que as pessoas que gostavam do seu partido queriam estar presentes.
Faço este preâmbulo para dizer que o PS perdeu completamente a vergonha na cara e o sentido da decência ao andar a transportar pessoas que não votam nem sabem falar português, para comícios seus a troco de uma sandes e de um sumo. Isto é mais ou menos a mesma coisa que mentir com requintes de maldade, chamando idiotas às pessoas que pensam ser genuínas as presenças no comício. É verdade que já vamos estando habituados a tanta trapalhice, mas não deixa de causar indignação.
Os comícios há muito que são apenas espectáculos mediáticos, organizados por gente profissional, que tudo fazem para mostrar ao país que há mobilização e dinâmica de vitória. No caso concreto do PS o tiro saiu pela culatra.
Não só o PS se aproveita da miséria alheia que troca comida pelo sacrifício de ter de bater palmas a Sócrates e fazer quilómetros atrás dele, como tenta passar para a opinião pública uma coisa que não é real. Retirem de lá os chineses, os indianos, os africanos e os de leste e vão ver como fica a assistência. Provavelmente seria visível um comício despido de gente, com os mesmos de sempre que não faltam a nada. O que é certo é que nos tempos que correm a imagem é que conta, mesmo que ela esteja completamente deturpada.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

De Espanha nem bons ventos nem casamentos mas bons exemplos

A situação económica que se vive em Espanha, não é tão má como a nossa mas é bastante complicada. O paro, nome dado ao desemprego, tem uma taxa de dois dígitos há já muito tempo e nos últimos meses só tem tido pioras.
Pese embora, lá e cá, as culpas que se tentam transferir para a crise financeira mundial, há também uma enorme quota-parte de responsabilidade política de quem governa o povo espanhol. Como tal não é de estranhar as manifestações que têm acontecido um pouco por todo país, com a “invasão” às grandes praças que se transformaram em zonas de acampamento sob protesto.
Eis se não quando surgem eleições, que não sendo para o governo, deram a oportunidade aos espanhóis para se exprimirem em relação ao seu estado de alma. O resultado não podia ter sido mais óbvio: a maior derrota de sempre do PSOE e a vitória expressiva do PP.
Será portanto de observar que nuestros hermanos não estão para mais brincadeira ao contrário dos portugueses. Os problemas de um e outro país têm similitudes e uma delas é o estilo de governação. Zapatero e Sócrates são farinha do mesmo saco.
Tanto um como outro chegaram ao governo não por mérito próprio mas por demérito de quem governava na altura. Zapatero ganhou as eleições legislativas em 2004, poucos dias depois dos atentados de Atocha, para os quais Aznar, então primeiro-ministro, decidiu inventar uma justificação para a autorias das explosões nas estações de Atocha, El Pozo e de Santa Eugénia, bem como no interior de um comboio urbano de Madrid.
Aznar atribuiu a culpa dos atentados à ETA, por mero oportunismos político, mas os mesmos pertenciam a uma célula terrorista da Al-Qaeda, como retaliação contra a participação de Espanha na guerra do Iraque. Os espanhóis sentiram-se enganados e Rajoy que na altura tinha as eleições praticamente ganhas acabou por perdê-las.
Em Portugal, Sócrates andava por ali e o Poder caiu-lhe nos braços, depois de vários episódios trágico-cómicos protagonizados pelo então primeiro-ministro Santana Lopes. É verdade que o futuro veio mostrar que Sócrates teve episódios bem mais graves e em maior número que o seu antecessor, mas o Presidente da República entretanto mudou. Este é feito de outra fibra e olha para o sentido de Estado de outra maneira.
Vem isto a propósito da inusitada intenção de voto em Sócrates e no PS. Enquanto em Espanha os espanhóis não tiveram sequer dúvidas em penalizar, ainda que indirectamente, o PSOE que está no governo, em Portugal, com uma situação bem mais grave e miserável, a 15 dias das eleições ninguém sabe quem vai ganhar e desconfia-se, como eu próprio desconfio, que Sócrates ainda não gastou as suas sete vidas. Fará isto sentido? Em democracia manda o povo e quando ele decide, normalmente decide bem. Ainda assim, observo que os espanhóis estão todos os dias a perder os seus empregos, porém ainda não perderam o juízo. Por cá, não sei.

domingo, 22 de maio de 2011

Os feriados de Passos Coelho

Cada pessoa que viu o debate entre Passos Coelho e Sócrates terá a sua opinião em relação a quem ganhou. Eu acho que ganhou o líder do PSD sobretudo por uma razão: não deixou Sócrates falar sozinho e a seu bel-prazer e obrigou-o a ter de justificar algumas vezes coisas que não lhe agradam. Sócrates não querer ser julgado pela sua governação. Passos meteu o ainda primeiro-ministro na gaveta nessa matéria, mostrando que nestas eleições para alem de se discutir as propostas para o futuro, é preciso também encontrar os culpados da situação miserável a que o país chegou e da qual o candidato do PS é o principal responsável.
Posto isto pensei que Passos Coelho ia finalmente descolar da margem curta que o separa de Sócrates e que tem vindo a ser repetidamente mostrada nas sondagens. Bastava para isso capitalizar o bom debate que fez e não cometer erros delicados daqui em diante.
Eis se não quando vejo agora esta história dos feriados que mais não é do que um daqueles assuntos que não sendo devidamente explicado dá asneira. E este parece que vai mesmo dar.
Portugal tem de facto muitos feriados. Não sei se é dos países que tem mais mas não é seguramente dos que tem menos. Alguns desses feriados são católicos e é verdade que nem toda a população os deseja comemorar no seu sentido religioso. Servem então apenas para não se trabalhar nesse dia.
Depois há os feriados que sendo à terça ou à quinta-feira, são estrategicamente aproveitados para as pontes que fazem as delícias de quem trabalha. Tenho por acaso o azar de trabalhar numa empresa que acha e na minha opinião bem, que as pontes servem para passar de uma margem para a outra e não para ficar em casa sem fazer nada. Mas na função pública nem sempre é assim.
No entanto parece-me que a diminuição de feriados não vai resolver problema algum em Portugal. Retirar feriados não significa, a meu ver, mais produtividade. Significa isso sim um molho de brócolos eleitoral para quem fala do assunto. Ajustar os feriados, pode ter os seus benefícios, nomeadamente para evitar as famosas pontes. Acabar com eles é colocar maldispostos vários milhões de portugueses.
Há países com um elevado índice de produtividade e não é por os seus trabalhadores trabalharem mais horas e mais dias. É, isso sim, porque quando estão de facto a trabalhar, são competentes e não se distraem com outras coisas, conforme acontece noutros países onde a produtividade é mais baixa. Trabalhar muito não significa trabalhar bem. E afinal de contas nós não vivemos para trabalhar. Trabalhamos para viver.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Estamos condenados a pagar portagens na VLA

Eu sou um dos algarvios que utiliza quase todos os dias a Via do Infante. Não o faço por gosto, mas sim por necessidade, como de resto acontece com a esmagadora maioria dos seus utilizadores frequentes.
Agora, cada vez que circulo nela encontro um amontoado de ferros aos quais percebi que chamam pórticos. E para que servem os pórticos? Servem para colocar uns apetrechos que nos vão fotografar e registar a cada passagem que fizermos. E fotografar para quê? Porque somos bonitos? Não só mas também. Será sobretudo para nos obrigarem a pagar a utilização de uma via-rápida de quinta categoria que no Burundi era capaz de fazer grande sucesso mas que numa Europa civilizada não tem sequer estatuto de auto-estrada.
Acontece que por enquanto não há fotos nem registos. Era para haver desde o mês passado. Mas ainda não há. Porquê? Aparentemente por duas razões. Uma porque a obra não está terminada o que se percebe com facilidade. A outra é porque vai haver eleições e o Sócrates e o PS acharam que começar a cobrar portagens em cima neste período fazia-os perder votos.
Como estão absolutamente convencidos que nós somos burros e cegos, vieram com uma história que é tão má que nem servia para fazer uma novela da TVI. Alegaram um parecer ao abrigo do direito constitucional para justificar o que toda gente já percebeu: portagens agora são votos a menos nas urnas.
Ora ninguém está neste momento a salvo de pagar portagens por utilizar a Via do Infante, o que deverá acontecer uns dias ou semanas depois de 5 de Junho. E digo isto com toda a certeza porque independentemente de quem venha a vencer as eleições, e eu à data de hoje pertenço ao grupo de milhões de portugueses que também tem essa dúvida, PS ou PSD, as portagens vão ser postas a funcionar.
Portanto eu hoje quando passo por baixo dos pórticos, ouço uma voz que me diz qualquer coisa como isto:
- Vais passando agora sem pagar mas prepara-te para a pancada. Cá te espero, pá.
Naturalmente que isto me deixa mal disposto. E imagino que não seja caso único. Mais pessoas devem ficar indispostas ao ouvir esta voz de fundo com sotaque beirão a fazer torça de todos nós.
Isto não seria dramático se o principal partido da oposição e que tem condições de vencer as eleições tivesse já dito claramente o que pensa sobre este assunto, nomeadamente se pretende que os algarvios não paguem as portagens. Acontece que sobre esta matéria parece que há consenso. Sobre a Taxa Social Única e o TGV pode não haver, mas sobre portagens na Via do Infante eles estão de acordo. E isso não é bom nem mau. É aquilo que toda a gente sabe.

terça-feira, 17 de maio de 2011

A Nova Oportunidade de não voltar a generalizar

Em campanha eleitoral as palavras dos candidatos podem fazer estragos irrecuperáveis. Uma expressão menos feliz, uma gafe ou um disparate pode mudar o curso das coisas. Da mesma maneira uma verdade dita de forma menos habilidosa pode servir para os adversários trucidarem quem a profere. Parece que foi isto que aconteceu a Passos Coelho sobre o tema das Novas Oportunidades.
Há muito que o tema da qualificação dos portugueses faz parte dos programas eleitorais e da acção dos governos. Nem sempre as coisas têm sido feitas do modo mais difícil, porém mais meritório. A tentação pelos números e pelas estatísticas é grande e muitas vezes levam ao facilitismo ou mesmo à farsa..
Nas Novas Oportunidades devem ter sido qualificadas muitas pessoas que mal sabem ler e escrever. Algumas dessas pessoas pouco ou nada aprenderam mas no fim tiveram direito ao diploma e à qualificação e engrossaram as estatísticas com que Sócrates se vangloriou ao mesmo tempo que distribuía Magalhães pelas crianças do nosso país.
Porém, para além destas pessoas que pouco ou nenhum mérito tiveram e praticamente nada aprenderam, há aqueles que se esforçaram, que aprenderam que se sacrificaram e naturalmente se qualificaram com todo o merecimento e esmero. Quero acreditar que foram a maioria.
Como Passos Coelho não distinguiu uns dos outros, pelo menos não percebi que o tivesse feito, meteu tudo no mesmo saco. No pior saco. No saco dos ignorantes. Alguns estão lá muito bem, mas não são todos.
Agora as opiniões vão dividir-se e até extremar-se em redor deste tema. Talvez Passos Coelho tenha arranjado uma zaragata com muitos dos qualificados pelas Novas Oportunidades. E explicar o assunto a partir de agora não vai ser fácil, porque Sócrates aparecerá sempre a aproveitar-se demagogicamente do assunto, conforme já o fez.
Teria sido mais prudente, do ponto de vista eleitoral e político, não terem sido utilizadas expressões tão fortes. É que os ignorantes também votam e o voto deles vale tanto como o de Passos Coelho. A democracia é mesmo assim. São todos iguais e não se distinguem em função da qualificação dos eleitores.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O senhor FMI foi um totó

O director-geral do FMI, Dominique Strauss-Khan, escolheu o país errado para se armar em garanhão. Nos EUA esta coisa de incomodar uma senhora que tem como única missão arrumar quartos de hotel e fazer camas sem ter necessariamente de se deitar nelas com os hóspedes, é crime e dá cadeia. Se ele tem mesmo esta pancada de se atirar às raparigas bonitas sem o consentimento delas devia ter escolhido, por exemplo, Portugal. E porquê?
Em primeiro lugar pelas funções que desempenha. Era este o homem que iria assinar o cheque para o Sócrates não passar o vexame de ficar com os salários dos funcionários públicos por pagar em Junho. Digo que seria ele a assinar porque desconfio que já não vai ser. Na altura de mandarem para cá o dinheiro ele deve estar a passar umas férias num estabelecimento prisional norte-americano. Sendo assim, nós em Portugal jamais prenderíamos o homem que ia salvar o país da bancarrota. Isso seria uma irresponsabilidade. Tomara nós que ele simpatizasse com a malta. Metê-lo na cadeia por importunar uma cidadã portuguesa seria mais ou menos a mesma coisa que alguém ir a um banco pedir um empréstimo e ao chegar lá começar a bater no gerente. Como é óbvio não levava nem um cêntimo.
Em segundo lugar, nós em Portugal não temos a tradição de prender gente poderosa. Até os podemos interrogar, eventualmente metê-los uns tempos em prisão preventiva, mas depois acabamos por os soltar. Sentenciá-los com prisão efectiva seria uma anormalidade. Ora o senhor Strauss-Khan é ou era dos homens mais poderosos do mundo uma vez que é com a sua assinatura que, por exemplo, se salva o que resta da vergonha na cara de políticos que levam os seus países à bancarrota. Ainda por cima é socialista, o que por cá parece ser mais uma atenuante para não ser preso, nem condenado ainda mais por coisas deste género.
Em terceiro lugar chatear alguém sexualmente, em princípio, não dá cadeia em Portugal. Vejam a rapaziada que andou anos a fio a entreter-se com os miúdos da Casa Pia. Está algum preso? Acham que algum vai ser preso um dia? Até mesmo o que confessou os crimes e mais tarde veio dizer que o obrigaram a beber água com Sonasol e por isso disse coisas sem sentido, está cá fora a rir-se dos miúdos que andou a incomodar uma vida inteira. Portanto brincar ao quarto escuro com uma empregada de um hotel em Portugal, jamais daria a chatice que deu em Nova Iorque.
E já agora, quem é que está errado? Nós ou os americanos? É claro que são os americanos porque se revelam pouco tolerantes e metem na cadeia todos os que aparentemente cometeram um crime. Nem os deixam respirar. Se quiserem provar a inocência, que o façam. Mas lá dentro. Aqui em Portugal nós somos muito mais humanistas e modernos. Preocupamo-nos com as vítimas, às vezes, mas tratamos de nunca marginalizar os agressores para não os perder para a vida. Por isso é que temos esta coisa sui generis de chatear até à exaustão um polícia que deu um tiro a um ladrão porque o encontrou a roubar ou a ameaçar de morte outra pessoa. A culpa é do bandido? Claro que não. A culpa é do polícia que devia estar a fazer outra coisa naquele momento e não soube persuadir diplomaticamente o bandido a não cometer o crime, pese embora o ter encontrado armado sem licença.
Diria portanto em jeito de conclusão que o senhor FMI foi um totó. Foi armar-se em orangotango com o cio para Nova Iorque quando o podia fazer tranquilamente em Lisboa.

sábado, 14 de maio de 2011

A irracionalidade

Daria um isqueiro a um incendiário? E uma garrafa de uísque a um alcoólico? Ficaria tranquilo se na escola do seu filho houvesse um professor ou um funcionário pedófilo? Emprestaria dinheiro a um vigarista compulsivo? Então se não faria nenhuma dessas coisas como é capaz de votar em alguém que levou o país à ruptura financeira de não ter dinheiro para pagar ordenados o que nos obrigou a pedir ajuda externa e a deixar comprometida toda uma geração que não gastou um tostão mas vai ter de pagar a conta?
É verdade, todos nós temos um lado irracional, algo que mesmo sabendo que não é bom, ainda assim toleramos ou apreciamos. A psicologia deve ter explicação para este fenómeno, o que leva as pessoas a serem masoquistas, a auto-flagelarem-se ou a permitirem que outros lhes façam mal sem reagir.
As eleições de 5 de Junho representam uma encruzilhada mas não podem representar um salto para o precipício. Admitindo que o mérito deve estar no primeiro dos critérios de avaliação para quem faz uma escolha, nem sempre é este factor que nos leva a tomar uma decisão.
É deste modo que olho para as sondagens que dão o PS empatado com o PSD ou mesmo em vantagem. Não é racional o voto no PS. Só pode ser emocional. Que os militantes e simpatizantes o façam, até entendo. Mas as pessoas que não têm filiação ou simpatia e que são aquelas que decidem eleições, isso já me parece mais estranho.
Dirão alguns que o PSD não é alternativa ou que não fez o suficiente para chegar lá, que Portas não é de confiança, e de facto não é, e que Louçã e Jerónimo vivem noutra realidade que nada tem a ver com a do país. Mas será tudo isto pior que ver um primeiro-ministro que mentiu consecutivamente aos portugueses e conduziu o país para a bancarrota, retomar o cargo? Que auto-estima é esta a dos portugueses que admitem tudo e tudo é mesmo o pior cenário possível? Onde estão as pessoas que participaram nas mega-manifestações de professores ou nas da Geração à Rasca? O que pessam de Sócrates os funcionários públicos que vivem do seu ordenado, sabendo que o Estado não tinha já em Junho dinheiro para os pagar? São estas as pessoas que respondem às sondagens e dão origem aos resultados que as mesmas mostram?
Eu quando vi as manifestações dos à rasca cheguei a comentar que muitos dos presentes iam votar no PS nas próximas eleições e nem sequer sabia que as mesmas eram já em Junho. Infelizmente, julgo que não estava enganado. E quem diz esses, diz outros.
Um povo sem auto-estima não tem futuro e sem memória também não. Talvez os portugueses ou grande parte deles, tenham mesmo perdido a esperança e desistido do nosso país. Talvez…sei lá.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O livro do Futre


Paulo Futre vai lançar um livro, o que não é a mesma coisa que escrever. Para o escrever é preciso saber. Para o lançar basta ter alguma coisa para contar de bem ou de mal e juntar a vontade de uma editora ou uns euros se for edição de autor.
Naturalmente que o livro vai ser lançado na melhor altura, porque Futre saiu da prateleira empoeirada do esquecimento para os holofotes da ribalta em apenas poucos minutos, tantos quantos os que duraram aquela conferência de imprensa digna de um número do Circo Chen a cair na internet.
Neste país que às vezes parece mais de alarves que de poetas e escritores – e nós somos na verdade um país de grandes poetas e escritores – o livro do Futre vem rechear as prateleiras dos hiper-mercados onde será comprado e misturado no carrinho com a fruta, as mercearias, a charcutaria e o papel higiénico. Mas não só. Estará também à venda nas melhores livrarias do país porque nesta nossa feliz opção de vivermos em liberdade e democracia, os livros estão ao dispor de todas as carteiras, todas as idades e por suposto todos os gostos. Da mesma maneira que há pessoas que não passam sem ver a Querida Júlia e seguiram todos os momentos da Casa dos Segredos, também há aqueles que lêem e relêem os clássicos da literatura portugueses ou as obras mais recentes que conquistaram importantes galardões internacionais.
Mas a questão fundamental em relação ao livro do Futre é a conjuntura actual.
O ex-jogador de futebol, que dentro das quatro linhas era um génio, mas fora dela nem por isso, conseguiu a proeza de dizer tanta asneira em tão pouco tempo que mesmo os tipos mais qualificados na nobre arte de dizer disparates ficaram surpreendidos com a performance do homem do Montijo. Ora quando a baboseira é tanta e sai em verdadeira torrente que parece não ter limites, isto torna-se notícia. Outros dizem disparates de forma mais moderada, ainda que com maior periodicidade e já ninguém liga. Um exemplo? O Jorge Jesus do Benfica, com ou sem pastilha na boca.
Assim o Futre vai certamente lucrar bastante com a venda do livro, muito mais do que se não tivesse sido candidato a um cargo de dirigente no Sporting. Aliás, já está a lucrar com o Licor Beirão que percebeu o óbvio: o absurdo e o anedótico misturado com o delírio absoluto, vende bem.
Não será portanto de estranhar os charters que vão chegar à Portela vindos de Pequim, todas as semanas com 400 ou 500 chineses, ávidos de comprar e ler o livro do Futre, traduzido para mandarim. A editora sabe que este é um bom negócio uma vez que vai receber comissões dos charters, dos hotéis, dos restaurantes, dos museus e por ser quem é, das compras feitas pelos chinocas nas lojas do Alvaláxia. Depois é só criar um departamento para tratar dos compradores/leitores chineses e o céu é o limite.
Já agora espera-se que os chineses não sejam ruidosos. O Futre precisa de silêncio para ficar concentradíssimo e assim poder pensar num segundo volume do seu livro.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O tio Jerónimo



É curioso observar o que hoje ainda significa uma mais valia eleitoral ao PCP ou CDU ou o que quiserem chamar ao que resta da resistência comunista portuguesa que continua a acreditar no brilho do sol soviético de Moscovo: o seu líder Jerónimo de Sousa. É curiosa a ironia do PCP ser o partido que mais valoriza o colectivo em prejuízo do valor individual dos seus membros e no entanto ter no seu secretário-geral o único factor que pode levar alguém não comunista de alma e coração a votar no partido.
Efectivamente Jerónimo tem um ar bonzinho. É uma espécie de tio que qualquer português sensato não se importaria de ter. Tem qualidades pessoais notórias, das quais se destacam os dotes de dançarino e o seu fervor benfiquista que lhe confere de imediato e por inerência o estatuto de bom chefe de família. Para além disso tem uma imagem pessoal que o afasta do estereótipo do comunista resistente de ar sinistro. O Jerónimo é tudo menos sinistro. É simpático, cordial, não usa retórica e tem uma linguagem e um conjunto de expressões que toda a gente entende. É do povo.
Foi com Jerónimo que cheguei à conclusão que a história dos comunistas comerem criancinhas ao pequeno-almoço era uma falácia. Mais tarde percebi que não era no PCP que se comiam crianças. Foi também com Jerónimo que enxerguei que os gestos que eu fazia ao som da música numa discoteca não significavam dançar, mas apenas não estar parado. Foi com Jerónimo que compreendi que uma derrota nunca é perder alguma coisa, mas simplesmente não ganhar. Ou seja, de Jerónimo retirei alguns ensinamentos coisa que não aconteceu com outros líderes. Peço desculpa, com Santana Lopes aprendi que quando um bebé está na incubadora não se pode dar-lhe pontapés.
Isto para dizer que ontem no debate com Passos Coelho aconteceu a Jerónimo uma coisa que não me deixou tranquilo. O líder do PSD tratou-o com deferência e cordialidade mas não lhe passou cartão. Jerónimo tinha na sua frente um adversário político. Passos Coelho tinha apenas um senhor simpático que falava alternadamente consigo. Quem o líder do PSD queria mesmo apanhar e dirigir-se era ao omnipresente Sócrates.
Daí o debate não ter sido debate. Foi uma conversa de dois homens cordatos, um à procura de ser primeiro-ministro e outro à procura de não ver o seu partido minguar em número de votos.
Por esse motivo, não há muito mais a dizer a não ser que se a política fosse um concurso de beleza, Jerónimo seria a Miss Simpatia.

Os filhos de Bin Laden têm razão

Após a morte de Bin Laden pelos Seal`s norte-americanos, alguns dos seus 458 filhos decidiram reagir ao sucedido para acusar Barak Obama de violar o Direito Internacional na forma como montou toda a operação. Não podia estar mais de acordo.
O que os EUA fizeram não se faz, pelas seguintes razões:
Em primeiro lugar porque foi à bruta, aos tiros, utilizando armas de fogo que disparam balas de verdade. A força foi desproporcionada. Bin Laden em vida nunca fez uso destes meios para desferir ataques contra os “infiéis”. Se os EUA fizessem despenhar um Boeing 747-400 em cima da casa do líder da Al-Qaeda ainda os filhos eram capazes de tolerar. Agora tiros de soldados vindos do ar é que não tem qualquer piada.
Em segundo lugar os americanos entraram num país que não é o seu e entraram sem avisar. Pior do que isso, não tocaram à campainha quando entraram em propriedade privada. Isto é falta de educação. Estão a precisar de ler os livros da Paula Bobone para ver se aprendem a ter modos.
O que os filhos de Bin Laden acham e eu corroboro é que os americanos deviam primeiro ter mandado um e-mail ou postado no Facebook de Barak Obama que iam fazer uma visita de cortesia ao Paquistão a uma determinada casa, indicando o dia e a hora. Hoje sabe-se que Bin Laden não tinha telefone nem Internet em casa. Nesse caso mandavam o embaixador dos EUA no Paquistão avisar com 48 horas de antecedência que haveria lugar a uma visita um pouco barulhenta por parte de um grupo de operações especiais americanas, mas que seria rápida e tudo fariam para incomodar o menos possível.
No 11 de Setembro os terroristas da Al-Qeada foram mais educados. Dirigiram-se ordeiramente aos aeroportos, fizeram os check-ins, passaram no controlo de segurança, sentaram-se nos lugares certos dentro dos aviões e até apertaram os cintos. É verdade que a meio do voo levantaram-se e foram cumprimentar o comandante e solicitaram que os deixassem experimentar a máquina, mas isso são apenas pormenores.
Em terceiro e último lugar os filhos de Bin Laden acham que foi um exagero meter uma bala na cabeça do pai. Os “rambos “ norte-americanos deveriam ter tido outros modos, começando por pedir com gentileza e educação se o pai não se importava de os acompanhar porque haviam algumas suspeitas sobre o seu envolvimento na queda de uns prédios em Nova Iorque, bem como um buraco feito num edifício de forma geométrica pentagonal em Washington. Tudo isto com um se faz favor no fim.
Acontece que os americanos são uns brutos. Estão habituados aos filmes do Stallone e do Chuck Norris e depois querem fazer os mesmos truques na vida real. E isso não pode ser. Uma coisa é Hollywood e outra é o resto do Mundo.
Espero que à próxima sejam mais moderados e sobretudo bem educadinhos. Boas maneiras nunca fizeram mal a alguém.

terça-feira, 10 de maio de 2011

O futebol é para homens



O futebol não é desporto para senhoras e se algumas jogam é para chatear os namorados ou os maridos.
Isto para mim é factual. Não confundir com o gostar de futebol. Hoje nos estádios portugueses, das pouquíssimas pessoas que se encontram lá, algumas são mulheres que gostam de ver ao vivo e a cores as pernas dos jogadores ou os seus abdominais vincados quando levantam as camisolas para festejar os golos. Estão habituadas em casa a barrigudos e precisam de vez em quando alegrar as vistas. É uma atitude fisiológica e compreensível.
Regra geral, com honrosas excepções, elas pensam que um fora de jogo é um jogador que saiu das quatro linhas e foi ao balneário fazer xixi ou então recomendar ao Jorge Jesus que mastigue a pastilha de boca fechada. Como tal, o futebol é naturalmente, efectivamente e comprovadamente um desporto para homens. E sendo para homens é para jogar à bruta porque se não fosse assim não nos nascia pêlos na cara e não os cortávamos à navalhada.
Este preâmbulo serve para explicar que o lance que há duas jornadas atrás se viu no jogo do Sporting de Braga-União de Leiria, em que um defesa da equipa da cidade do Lia acaricia com os pitons das suas botas o queixo de um adversário bracarense, é tão somente uma manifestação de virilidade que tanta falta faz ao desporto rei e não uma agressão. É verdade que desde que o Paulinho Santos se reformou e o Bruno Alves foi tratar da vidinha para a Rússia, o futebol português tem estado muito morno, muito sem sal, porque não dizer meio amaricado. Longe vão os tempos em que o Paulinho Santos fracturava com requintes de kung-fu os maxilares ao João Vieira Pinto ou que o Bruno Alves cravava os joelhos ou mesmo os pitons nas costas do Óscar Cardozo. Isso sim eram factuais exercícios demonstrativos da virilidade com que o futebol deve ser jogado. Quem não tem saudades desse tempo, a começar pelo Pinto da Costa?
Como tal, acho que a polémica criada à volta desta jogada que referi, serve apenas para desacreditar o futebol e transformá-lo numa espécie de jogos florais. Digo mais, o árbitro fez mal em assinalar falta contra a União de Leiria. Ele devia era ter expulso o jogador do Braga por ter desviado ligeiramente a cabeça para trás, não permitindo que o adversário lhe acertasse na testa. É que na zona do queixo e do pescoço não é a mesma coisa e não serve de exemplo para os jovens que querem ser futebolistas observarem o verdadeiro brilho da modalidade.
Sejamos claros, precisamos em Portugal de um futebol onde o público possa vibrar com as faíscas dos pitons a bater no osso. Caso contrário ainda nos arriscamos a ver o José Castelo Branco como ponta de lança e capitão da selecção nacional.
Uma última nota para dizer que hoje ee dia não se metem fotografias debaixo da porta do balneário do árbitro a meio do jogo, como aconteceu nesse dia. Pega-se nessas fotografias e publica-se no mural do Facebook do árbitro. Temos que viver de acordo com os tempos que correm.

A tampa

O debate a que o país assistiu ontem à noite entre Sócrates e Portas teve momentos verdadeiramente divertidos ou cómico-trágicos se tivermos em conta o que este governo fez a Portugal. O primeiro deles foi a tampa que o candidato do PS - como Portas se fartou de relembrar aos telespectadores - levou do seu adversário. Não havia necessidade. Sócrates abriu a porta do entendimento a Portas e este fechou-lhe a porta. É cacofonia mas não há outra forma de explicar.
Sócrates fez lembrar aqueles tipos frustrados da escola que pediam namoro às miúdas mas só levavam tampas:
- Queres namorar comigo?
- Contigo? Ainda no outro dia dizias que eu era feia, bruta e mal cheirosa e agora queres namorar comigo? Vai-te catar que agora tenho outro pretendente.
- Mas quem?
- O Pedro.
- Esse? Eu sabia. Nunca me enganaste. És uma ingrata.
Relativizando, moderadamente, este podia ser este o diálogo entre o pretendente Sócrates e o pretendido Portas.
Mas Sócrates, qual rapazinho frustrado que acabou de levar tampa da garota, não se ficou e passou ao ataque. O problema é que quando passa ao ataque a sua morfologia nasal aumenta, o tom de voz altera-se e o seu comportamento cai nas imediações da exasperação com quem não lhe diz ámen a tudo. É nessa altura que vai esgaravatar nos “podres” da garota a forma de se vingar da tampa que acabou de levar. Mas já é tarde demais.
Numa desesperada tentativa de colocar o assunto ao nível subaquático, repescando os submarinos, Portas respondeu-lhe que os ditos foram encomendados pelos seus camaradas antecessores no governo e que ele, enquanto titular da Defesa Nacional e utilizador compulsivo da máquina fotocopiadora do respectivo ministério na hora da despedida, limitou-se a reduzir para metade o número de objectos flutuantes e submersíveis a adquirir.
- Mas quem os pagou fui eu!– lembrou Sócrates.
Ou seja, ficou o país inteiro a saber que os submarinos foram liquidados com cheques, eventualmente com o cartão Visa ou Multibanco da conta particular de Sócrates. Sim, foi tudo muito claro. Os submarinos foram pagos pelo cidadão José Sócrates CarvalhoPinto de Sousa, segundo o próprio. Esta foi a parte boa do debate em que respirei de alívio. Durante muito tempo vivi com a irremediável indignação que os submarinos do Portas tinham sido pagos com o dinheiro dos meus impostos e dos demais contribuintes desta grande nação à beira mar plantada. Afinal não foi assim. Os submarinos são do Sócrates que pode muito bem pegar neles e levá-los para o concelho da Guarda para fazer pendant com as lindas casas que projectou há uns anos atrás.
Por fim, não achei grande piada à capa transparente na qual Sócrates trazia o programa eleitoral do CDS, a qual estava vazia. Achei-a um pouco pobre, para não dizer possidónia. Estava à espera de uma bonita e luxuosa capa Louis Vuitton que é muito mais adequada à imagem estereotipada dos betinhos do CDS. Mas como foi Sócrates que a trouxe e partindo do principio que a Boss e a Armani não fabricam capas para documentos, apenas roupa e sapatos para carteiras de políticos endinheirados, foi mesmo de plástico. Fica mais barata e o FMI não se zanga.
E foi assim que vi o debate.

domingo, 8 de maio de 2011

A democracia do Bloco só se vê à lupa

Quando olho para o Bloco de Esquerda lembro-me do Futebol Clube do Porto. Tal como o clube da cidade invicta que tem o Pinto da Costa há cerca de duzentos anos como presidente, o Bloco de Esquerda tem o Francisco Anacleto Louçã. No FCP tenho ideia que fazem eleições, se bem que ninguém tem autorização para se candidatar contra o querido líder e se alguém o faz é certamente porque não tem grande amor à vida. No Bloco, que eu me lembre, o líder sempre foi o Louçã, que transitou de uma coisa chamada PSR – Partido Socialista Revolucionário, para o actual BE. Apesar de não me considerar totalmente distraído com a vida política do meu país nos últimos 20 anos, tento puxar pela cabeça e não me recordo de um momento em que este partido tenha vivido um momento eleitoral com a escolha de outro líder que não fosse o Louçã. Admito que tenham feito reuniões que começavam já com as conclusões escritas, apenas para confirmar a liderança. Mas um processo eleitoral em que os militantes, porque os devem ter, de Norte a Sul do país tenham ido às suas secções votar e escolher uma liderança para o partido, sinceramente não me recordo. O que é estranho.
No PSD e no PS haver eleições é uma coisa banal que acontece com frequência, o mais tardar de dois em dois anos. No CDS também tenho ideia que faziam congressos para eleger direcções e agora têm umas eleições directas para escolher o presidente do partido. No PCP juntam-se uns quantos em congresso, mandam sair a comunicação social e elegem de braço no ar uma lista previamente combinada no Comité Central. Não é muito recomendável nos dias que correm mas cada um pratica a democracia que mais gosta. E no Bloco de Esquerda como será?
Vem isto a propósito de uma reunião que os bloquistas organizaram este fim-de-semana em que pela primeira vez vi alguém ir ao palco e criticar as opções do líder Louçã, o qual disse uma coisa no sábado e o seu contrário no domingo. No entanto, o artista diz-se muito democrático e os seus seguidores acreditam que o seja. Mas a mim não me convence. Acho que ele convive mal com essas modernices de várias listas, ideias diferentes e eleições por voto secreto. Mas o pior de tudo é que os militantes do BE estão de facto conformados. Não fosse assim já tinham corrido com ele, porque ao contrário do Pinto da Costa que está farto de ganhar títulos, se bem que alguns tenham sido ganhos depois de comprar árbitros com material Made in Brasil, o Louçã ainda só ganhou juízo e vontade de se candidatar às próximas eleições. Mas eles lá sabem.
Eu diria que é preciso uma lupa ou um microscópio para observar a democracia do Bloco de Esquerda, partindo do principio que ela de facto existe.

sábado, 7 de maio de 2011

Os Activos e os à Rasca

Sócrates esteve ontem em Portimão para um jantar de camaradas aos quais apelidou de forma folclórica «Geração Activa». Imagino que estes sejam os antípodas da Geração à Rasca ou Recibos Verdes ou 500€ ou ainda os Deolindos, os tais que vivem há já algum tempo no oceano da precariedade laboral ou simplesmente engrossam as filas à porta dos Centros de Emprego à procura do dito. Com Sócrates no repasto de ontem estiveram os bem instalados à sombra dos gabinetes do Poder ou os que por via do cartão rosa têm bons empregos, assessorias, mordomias ou coisas parecidas com o vulgarmente apelidado de tacho (sem condições de aquecer uma mão cheia de arroz) ou ainda não tendo aspiram a esse desiderato.
À Geração Activa Sócrates auto-elogiou-se, vangloriou-se, pavoneou-se, bazofiou-se, ufanou-se, entre outros auto-mimos. Provavelmente no fim do discurso beijou-se a ele próprio e segredou para o vizinho do lado: - Nem sei como sou tão bom. I love me.
A outra geração, aquela que anda à rasca, não teve acesso ao jantar, mas comeu as “sobras” hoje mesmo nos noticiários da hora do almoço.
Os à Rasca olham para os Activos com frustração. Afinal de contas é tão simples quando as coisas acontecem porque se pertence à tribo. Não é preciso mérito nem trabalho. É apenas necessário seguir os bons ensinamentos da cartilha do Rui Pedro Soares, o bem de vida ex-administrador da Portugal Telecom, que também pertence à equipa dos activos e pelo currículo que tem deve mesmo ter no seu braço a braçadeira de capitão.
O que separa os Activos dos à Rasca, é o resultado do que vai acontecer no dia 5 de Junho. Futebolisticamente falando, esse é o dia da final. Não a de Dublin que o meu Benfica de modo incompetente deixou fugir pelo meio dos dedos dos pés, mas a do futuro que aí vem. Os Activos querem ganhar o jogo, mas se empatarem já não ficam totalmente mal alguns deles. Os à Rasca precisam mesmo da vitória, nem que seja através de um golo marcado com a mão ou fora de jogo. Este é o grande dilema.
Por isso aqueles que não têm lugar nos Activos, mas também não jogam felizmente nos à Rasca, não podem ficar em casa nesse dia. É preciso ir ao estádio e torcer por uma das equipas. Organizados em claques ou simplesmente sós ou na companhia da família, o importante é não ficar refastelado no sofá à espera do resumo do jogo para ver os golos.
É que já aborrece ter um primeiro-ministro com a mania que é bom, a gerir um país que ele próprio destruiu.

Respeito ou a falta dele

Um Estado devia ser observado, em matéria de gestão e administração, como uma grande empresa. Imaginem então o seguinte exercício:
Um empresa onde os accionistas observavam que o Conselho de Administração em pouco mais de dois anos tinha levado a mesma para a falência, bancarrota, insolvência e descrédito total junto das entidades financiadoras. Em que manicómio seriam internados os accionistas desta empresa se em Assembleia-geral renovassem o mandato aos administradores e sobretudo ao Presidente do Conselho de Administração?
Pois é exactamente isto que parece passar-se hoje em Portugal. Os accionistas (eleitores) desta grande empresa (Portugal) viram o Presidente do Concelho de Administração (José Sócrates) e os seus administradores (restante governo) dilapidar as finanças públicas, endividar a mesma, desacreditá-la internacionalmente perante tudo e todos, deixando-a à beira do colapso de não ter tostão para pagar aos seus funcionários. Mais do que isso, os accionistas até já perceberam que foram iludidos, aldrabados e gozados, sem direito a anestesia geral, local ou simples vaselina e mesmo assim não se zangam o suficiente. Ou seja, neste caso grande parte deles parece não estar preocupados com o salto para o precipício. Isto é racional? Não. Isto é pouco que mais que burrice e estupidez misturada com irresponsabilidade e uma pitada de quanto mais me bates mais eu gosto de ti, para não dizer descrédito completo na política e mesmo na democracia.
Portugal somos todos nós e todos nós não temos de pensar exactamente da mesma maneira. Ainda bem que é assim. Acredito que muita gente olhe para o PSD – único partido capaz de poder derrotar o PS – e não se reveja na liderança, no cada um a falar por si e no amadorismo que parece ter-se instalado na São Caetano à Lapa de onde a cada cavadela nos sai uma agúdia (formiga com asas que serve entre outras coisas para armar esparrelas para capturar passarinhos que sabem bem na frigideira, fritos apenas com azeite, alho e no fim um pouco de salsa). Mas mesmo isto, e isto é o PSD, não pode ser tão mau e tão penalizador como voltar a ter José Sócrates e sus muchachos novamente à frente do governo. Isto é quase um problema de sobrevivência nacional.
Portugal não pode ser uma galdérice ou um manicómio gigante. É preciso resolver isto no dia 5 de Junho antes que nos passem por cima e a gente fique a rir ou a chorar. Sabe-se lá…
Mesmo que já tenham perdido o respeito por nós eleitores/accionistas, nós exigimos respeito.
Tavira