segunda-feira, 23 de maio de 2011

De Espanha nem bons ventos nem casamentos mas bons exemplos

A situação económica que se vive em Espanha, não é tão má como a nossa mas é bastante complicada. O paro, nome dado ao desemprego, tem uma taxa de dois dígitos há já muito tempo e nos últimos meses só tem tido pioras.
Pese embora, lá e cá, as culpas que se tentam transferir para a crise financeira mundial, há também uma enorme quota-parte de responsabilidade política de quem governa o povo espanhol. Como tal não é de estranhar as manifestações que têm acontecido um pouco por todo país, com a “invasão” às grandes praças que se transformaram em zonas de acampamento sob protesto.
Eis se não quando surgem eleições, que não sendo para o governo, deram a oportunidade aos espanhóis para se exprimirem em relação ao seu estado de alma. O resultado não podia ter sido mais óbvio: a maior derrota de sempre do PSOE e a vitória expressiva do PP.
Será portanto de observar que nuestros hermanos não estão para mais brincadeira ao contrário dos portugueses. Os problemas de um e outro país têm similitudes e uma delas é o estilo de governação. Zapatero e Sócrates são farinha do mesmo saco.
Tanto um como outro chegaram ao governo não por mérito próprio mas por demérito de quem governava na altura. Zapatero ganhou as eleições legislativas em 2004, poucos dias depois dos atentados de Atocha, para os quais Aznar, então primeiro-ministro, decidiu inventar uma justificação para a autorias das explosões nas estações de Atocha, El Pozo e de Santa Eugénia, bem como no interior de um comboio urbano de Madrid.
Aznar atribuiu a culpa dos atentados à ETA, por mero oportunismos político, mas os mesmos pertenciam a uma célula terrorista da Al-Qaeda, como retaliação contra a participação de Espanha na guerra do Iraque. Os espanhóis sentiram-se enganados e Rajoy que na altura tinha as eleições praticamente ganhas acabou por perdê-las.
Em Portugal, Sócrates andava por ali e o Poder caiu-lhe nos braços, depois de vários episódios trágico-cómicos protagonizados pelo então primeiro-ministro Santana Lopes. É verdade que o futuro veio mostrar que Sócrates teve episódios bem mais graves e em maior número que o seu antecessor, mas o Presidente da República entretanto mudou. Este é feito de outra fibra e olha para o sentido de Estado de outra maneira.
Vem isto a propósito da inusitada intenção de voto em Sócrates e no PS. Enquanto em Espanha os espanhóis não tiveram sequer dúvidas em penalizar, ainda que indirectamente, o PSOE que está no governo, em Portugal, com uma situação bem mais grave e miserável, a 15 dias das eleições ninguém sabe quem vai ganhar e desconfia-se, como eu próprio desconfio, que Sócrates ainda não gastou as suas sete vidas. Fará isto sentido? Em democracia manda o povo e quando ele decide, normalmente decide bem. Ainda assim, observo que os espanhóis estão todos os dias a perder os seus empregos, porém ainda não perderam o juízo. Por cá, não sei.

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