quinta-feira, 12 de maio de 2011

O livro do Futre


Paulo Futre vai lançar um livro, o que não é a mesma coisa que escrever. Para o escrever é preciso saber. Para o lançar basta ter alguma coisa para contar de bem ou de mal e juntar a vontade de uma editora ou uns euros se for edição de autor.
Naturalmente que o livro vai ser lançado na melhor altura, porque Futre saiu da prateleira empoeirada do esquecimento para os holofotes da ribalta em apenas poucos minutos, tantos quantos os que duraram aquela conferência de imprensa digna de um número do Circo Chen a cair na internet.
Neste país que às vezes parece mais de alarves que de poetas e escritores – e nós somos na verdade um país de grandes poetas e escritores – o livro do Futre vem rechear as prateleiras dos hiper-mercados onde será comprado e misturado no carrinho com a fruta, as mercearias, a charcutaria e o papel higiénico. Mas não só. Estará também à venda nas melhores livrarias do país porque nesta nossa feliz opção de vivermos em liberdade e democracia, os livros estão ao dispor de todas as carteiras, todas as idades e por suposto todos os gostos. Da mesma maneira que há pessoas que não passam sem ver a Querida Júlia e seguiram todos os momentos da Casa dos Segredos, também há aqueles que lêem e relêem os clássicos da literatura portugueses ou as obras mais recentes que conquistaram importantes galardões internacionais.
Mas a questão fundamental em relação ao livro do Futre é a conjuntura actual.
O ex-jogador de futebol, que dentro das quatro linhas era um génio, mas fora dela nem por isso, conseguiu a proeza de dizer tanta asneira em tão pouco tempo que mesmo os tipos mais qualificados na nobre arte de dizer disparates ficaram surpreendidos com a performance do homem do Montijo. Ora quando a baboseira é tanta e sai em verdadeira torrente que parece não ter limites, isto torna-se notícia. Outros dizem disparates de forma mais moderada, ainda que com maior periodicidade e já ninguém liga. Um exemplo? O Jorge Jesus do Benfica, com ou sem pastilha na boca.
Assim o Futre vai certamente lucrar bastante com a venda do livro, muito mais do que se não tivesse sido candidato a um cargo de dirigente no Sporting. Aliás, já está a lucrar com o Licor Beirão que percebeu o óbvio: o absurdo e o anedótico misturado com o delírio absoluto, vende bem.
Não será portanto de estranhar os charters que vão chegar à Portela vindos de Pequim, todas as semanas com 400 ou 500 chineses, ávidos de comprar e ler o livro do Futre, traduzido para mandarim. A editora sabe que este é um bom negócio uma vez que vai receber comissões dos charters, dos hotéis, dos restaurantes, dos museus e por ser quem é, das compras feitas pelos chinocas nas lojas do Alvaláxia. Depois é só criar um departamento para tratar dos compradores/leitores chineses e o céu é o limite.
Já agora espera-se que os chineses não sejam ruidosos. O Futre precisa de silêncio para ficar concentradíssimo e assim poder pensar num segundo volume do seu livro.

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