sábado, 14 de maio de 2011

A irracionalidade

Daria um isqueiro a um incendiário? E uma garrafa de uísque a um alcoólico? Ficaria tranquilo se na escola do seu filho houvesse um professor ou um funcionário pedófilo? Emprestaria dinheiro a um vigarista compulsivo? Então se não faria nenhuma dessas coisas como é capaz de votar em alguém que levou o país à ruptura financeira de não ter dinheiro para pagar ordenados o que nos obrigou a pedir ajuda externa e a deixar comprometida toda uma geração que não gastou um tostão mas vai ter de pagar a conta?
É verdade, todos nós temos um lado irracional, algo que mesmo sabendo que não é bom, ainda assim toleramos ou apreciamos. A psicologia deve ter explicação para este fenómeno, o que leva as pessoas a serem masoquistas, a auto-flagelarem-se ou a permitirem que outros lhes façam mal sem reagir.
As eleições de 5 de Junho representam uma encruzilhada mas não podem representar um salto para o precipício. Admitindo que o mérito deve estar no primeiro dos critérios de avaliação para quem faz uma escolha, nem sempre é este factor que nos leva a tomar uma decisão.
É deste modo que olho para as sondagens que dão o PS empatado com o PSD ou mesmo em vantagem. Não é racional o voto no PS. Só pode ser emocional. Que os militantes e simpatizantes o façam, até entendo. Mas as pessoas que não têm filiação ou simpatia e que são aquelas que decidem eleições, isso já me parece mais estranho.
Dirão alguns que o PSD não é alternativa ou que não fez o suficiente para chegar lá, que Portas não é de confiança, e de facto não é, e que Louçã e Jerónimo vivem noutra realidade que nada tem a ver com a do país. Mas será tudo isto pior que ver um primeiro-ministro que mentiu consecutivamente aos portugueses e conduziu o país para a bancarrota, retomar o cargo? Que auto-estima é esta a dos portugueses que admitem tudo e tudo é mesmo o pior cenário possível? Onde estão as pessoas que participaram nas mega-manifestações de professores ou nas da Geração à Rasca? O que pessam de Sócrates os funcionários públicos que vivem do seu ordenado, sabendo que o Estado não tinha já em Junho dinheiro para os pagar? São estas as pessoas que respondem às sondagens e dão origem aos resultados que as mesmas mostram?
Eu quando vi as manifestações dos à rasca cheguei a comentar que muitos dos presentes iam votar no PS nas próximas eleições e nem sequer sabia que as mesmas eram já em Junho. Infelizmente, julgo que não estava enganado. E quem diz esses, diz outros.
Um povo sem auto-estima não tem futuro e sem memória também não. Talvez os portugueses ou grande parte deles, tenham mesmo perdido a esperança e desistido do nosso país. Talvez…sei lá.

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