domingo, 8 de maio de 2011

A democracia do Bloco só se vê à lupa

Quando olho para o Bloco de Esquerda lembro-me do Futebol Clube do Porto. Tal como o clube da cidade invicta que tem o Pinto da Costa há cerca de duzentos anos como presidente, o Bloco de Esquerda tem o Francisco Anacleto Louçã. No FCP tenho ideia que fazem eleições, se bem que ninguém tem autorização para se candidatar contra o querido líder e se alguém o faz é certamente porque não tem grande amor à vida. No Bloco, que eu me lembre, o líder sempre foi o Louçã, que transitou de uma coisa chamada PSR – Partido Socialista Revolucionário, para o actual BE. Apesar de não me considerar totalmente distraído com a vida política do meu país nos últimos 20 anos, tento puxar pela cabeça e não me recordo de um momento em que este partido tenha vivido um momento eleitoral com a escolha de outro líder que não fosse o Louçã. Admito que tenham feito reuniões que começavam já com as conclusões escritas, apenas para confirmar a liderança. Mas um processo eleitoral em que os militantes, porque os devem ter, de Norte a Sul do país tenham ido às suas secções votar e escolher uma liderança para o partido, sinceramente não me recordo. O que é estranho.
No PSD e no PS haver eleições é uma coisa banal que acontece com frequência, o mais tardar de dois em dois anos. No CDS também tenho ideia que faziam congressos para eleger direcções e agora têm umas eleições directas para escolher o presidente do partido. No PCP juntam-se uns quantos em congresso, mandam sair a comunicação social e elegem de braço no ar uma lista previamente combinada no Comité Central. Não é muito recomendável nos dias que correm mas cada um pratica a democracia que mais gosta. E no Bloco de Esquerda como será?
Vem isto a propósito de uma reunião que os bloquistas organizaram este fim-de-semana em que pela primeira vez vi alguém ir ao palco e criticar as opções do líder Louçã, o qual disse uma coisa no sábado e o seu contrário no domingo. No entanto, o artista diz-se muito democrático e os seus seguidores acreditam que o seja. Mas a mim não me convence. Acho que ele convive mal com essas modernices de várias listas, ideias diferentes e eleições por voto secreto. Mas o pior de tudo é que os militantes do BE estão de facto conformados. Não fosse assim já tinham corrido com ele, porque ao contrário do Pinto da Costa que está farto de ganhar títulos, se bem que alguns tenham sido ganhos depois de comprar árbitros com material Made in Brasil, o Louçã ainda só ganhou juízo e vontade de se candidatar às próximas eleições. Mas eles lá sabem.
Eu diria que é preciso uma lupa ou um microscópio para observar a democracia do Bloco de Esquerda, partindo do principio que ela de facto existe.

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