quarta-feira, 27 de julho de 2011

O óbvio resultado das eleições do PS

Conforme era do conhecimento da esmagadora maioria dos portugueses, António José Seguro veio a confirmar a sua vitória, o que a mim me deixa muito tranquilo e satisfeito.
Conforme escrevi aqui, com um PS atado de mãos e pés ao memorando de entendimento com o troika, com o país a necessitar de estabilidade política como pão para a boca e se o actual governo não perder o sentido da responsabilidade e o rumo que necessita prosseguir, os socialistas já têm um bom líder para ficar pelo menos oito anos na oposição.
Pese embora a não novidade do vencedor mais do que óbvio, o resultado eleitoral foi muito díspar. Não estava à espera que Francisco Assis fosse derrotado por tanta diferença. A justificação que tem sido dada para a sua má prestação, dá vontade de rir mas talvez tenha alguma razão de ser.
Aparentemente Assis era a candidatura que representada o legado de Sócrates e a de Seguro o seu contrário. Se nos lembrarmos que Sócrates foi a eleições internas e a congresso ainda este ano tendo conseguido um resultado estilo norte-coreano, o que aconteceu entretanto para tão grande descalabro daquele que era o seu identificado sucessor? É muito simples: até no PS já se sabia o desvario que era ter um secretário-geral como Sócrates, mas ninguém o enfrentava porque era primeiro-ministro e à sua roda gravitavam os muitos lugares da circunstância de se ser governo. Ou seja, o aparelho estava instalado e bem. Como reconhecer o problema podia significar a perda dos lugares, então deixa estar como está. Mas e o país? O país que se lixe – pensaria a clientela socialista bem sentada e acomodada. Mas isto um dia cai? Eles sabiam, mas enquanto o pau vai e vem, as costas descansam.
Só que o pau veio mesmo e bateu com força, derrubando a oligarquia rosa que estava instalada em Portugal.
Na noite de 5 de Junho, os socialistas perceberam que iam mesmo mudar de vida o que os deixou terrivelmente aborrecidos. E quem era o causador de tal aborrecimento? Sócrates, naturalmente.
Sendo assim, qualquer candidato às eleições no PS que fosse rotulado como representante dos escombros do socratismo, tinha os dias contados. Roma não paga a traidores e o PS não perdoa a quem lhe retira o sustento.
No meio disto tudo sobra Francisco Assis, que na minha opinião é um político muito acima da média daquilo que temos no panorama nacional. Foi um homem que passou pelas autarquias, ganhou eleições, esteve no parlamento europeu, voltou a dar a cara em desafio complicado como foi a candidatura contra Rui Rio no Porto e teve a brutal habilidade de ser líder parlamentar de um partido que suportava um governo com um primeiro-ministro que afundava o país a cada dia que passava. Para além disso, Assis tem, na minha opinião, características muito interessantes do ponto de vista político. É inteligente, tem capacidade de argumentação, tem ideias que mostram alguma inovação e é corajoso. É um caldo que depois de mexido pode dar perfeitamente um bom político.
Mas o PS não quer nada disto. O PS é um imenso aparelho que olha mais para o seu umbigo, em vez de o fazer para a circunstância que o rodeia. Tem um sentimento de gratidão para aqueles que mais gosta e se sente melhor representado. E nisto Seguro levava clara vantagem em relação a Assis, por muitos anos de militância activa junto das secções, dos militantes e dos dirigentes. Fez a escola da juventude partidária e conhece certamente toda a gente, tal como o conhecem a ele, com a devida excepção de António Costa que não sabe quem é o Seguro.
Como tal, deixai-os estar assim que estão muito bem.

O mais do que óbvio resultado das eleições do PS

Conforme era do conhecimento da esmagadora maioria dos portugueses, António José Seguro veio a confirmar a sua vitória, o que a mim me deixa muito tranquilo e satisfeito.
Conforme escrevi aqui, com um PS atado de mãos e pés ao memorando de entendimento com o troika, com o país a necessitar de estabilidade política como pão para a boca e se o actual governo não perder o sentido da responsabilidade e o rumo que necessita prosseguir, os socialistas já têm um bom líder para ficar pelo menos oito anos na oposição.
Pese embora a não novidade do vencedor mais do que óbvio, o resultado eleitoral foi muito díspar. Não estava à espera que Francisco Assis fosse derrotado por tanta diferença. A justificação que tem sido dada para a sua má prestação, dá vontade de rir mas talvez tenha alguma razão de ser.
Aparentemente Assis era a candidatura que representada o legado de Sócrates e a de Seguro o seu contrário. Se nos lembrarmos que Sócrates foi a eleições internas e a congresso ainda este ano tendo conseguido um resultado estilo norte-coreano, o que aconteceu entretanto para tão grande descalabro daquele que era o seu identificado sucessor? É muito simples: até no PS já se sabia o desvario que era ter um secretário-geral como Sócrates, mas ninguém o enfrentava porque era primeiro-ministro e à sua roda gravitavam os muitos lugares da circunstância de se ser governo. Ou seja, o aparelho estava instalado e bem. Como reconhecer o problema podia significar a perda dos lugares, então deixa estar como está. Mas e o país? O país que se lixe – pensaria a clientela socialista bem sentada e acomodada. Mas isto um dia cai? Eles sabiam, mas enquanto o pau vai e vem, as costas descansam.
Só que o pau veio mesmo e bateu com força, derrubando a oligarquia rosa que estava instalada em Portugal.
Na noite de 5 de Junho, os socialistas perceberam que iam mesmo mudar de vida o que os deixou terrivelmente aborrecidos. E quem era o causador de tal aborrecimento? Sócrates, naturalmente.
Sendo assim, qualquer candidato às eleições no PS que fosse rotulado como representante dos escombros do socratismo, tinha os dias contados. Roma não paga a traidores e o PS não perdoa a quem lhe retira o sustento.
No meio disto tudo sobra Francisco Assis, que na minha opinião é um político muito acima da média daquilo que temos no panorama nacional. Foi um homem que passou pelas autarquias, ganhou eleições, esteve no parlamento europeu, voltou a dar a cara em desafio complicado como foi a candidatura contra Rui Rio no Porto e teve a brutal habilidade de ser líder parlamentar de um partido que suportava um governo com um primeiro-ministro que afundava o país a cada dia que passava. Para além disso, Assis tem, na minha opinião, características muito interessantes do ponto de vista político. É inteligente, tem capacidade de argumentação, tem ideias que mostram alguma inovação e é corajoso. É um caldo que depois de mexido pode dar perfeitamente um bom político.
Mas o PS não quer nada disto. O PS é um imenso aparelho que olha mais para o seu umbigo, em vez de o fazer para a circunstância que o rodeia. Tem um sentimento de gratidão para aqueles que mais gosta e se sente melhor representado. E nisto Seguro levava clara vantagem em relação a Assis, por muitos anos de militância activa junto das secções, dos militantes e dos dirigentes. Fez a escola da juventude partidária e conhece certamente toda a gente, tal como o conhecem a ele, com a devida excepção de António Costa que não sabe quem é o Seguro.
Como tal, deixai-os estar assim que estão muito bem.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Não me conformo (2ª parte)

As recentes declarações do Presidente da Câmara Municipal de Faro e da Comunidade Intermunicipal do Algarve sobre as portagens na Via do Infante serviram a alguns para o transformar no odioso da questão o que é uma manifesta injustiça e safadeza. Mas o assunto está longe de terminar e o próximo episódio é ver dirigentes do PS, aliás já começaram a mostrar o ar da sua graça, a dizerem que afinal são contra as portagens e que as mesmas não deviam ser colocadas, quando ainda há poucos meses encolhiam os ombros. Já ouvi mesmo o Deputado Miguel Freitas dizer que portagens na Via do Infante só depois da requalificação da 125. Ora isto é um embuste, porque as portagens estavam previstas para ter o seu início em Abril passado e só assim não aconteceu porque o governo do PS, por mera conveniência eleitoral, mandou suspender a sua entrada em vigor. Aliás, causa-me vontade de rir ver que a empreitada que devia estar pronta em Abril passado ainda está em curso. Não conheço os prazos mas espero que se os mesmos estiverem ultrapassados a empresa seja multada, porque a mera suspensão da entrada em vigor, aparentemente, não implica na data de conclusão da empreitada, a menos que o dono da obra tenha pedido para abrandar o ritmo.
Enquanto cidadão e utilizador da Via do Infante, o meu reparo em relação às declarações que foram feitas por autarcas e dirigentes do PSD no Algarve é o timing e uma parte do conteúdo.
O timing porque os argumentos perdem peso em função do facto de o governo ter mesmo mudado. Li o comunicado do Presidente da Câmara de Faro em relação às circunstâncias financeiras que entretanto pioraram em Portugal, mas parece-me que isso não fosse totalmente desconhecido e é natural que o cidadão normal pergunte se não tivesse havido eleições qual seria a sua posição, tendo em conta que o governo do PS se mantinha no poder.
Depois em relação ao conteúdo. Os dois autarcas do PSD que falaram sobre o assunto, Faro e Albufeira, para além de anunciarem que mantinham a posição contrária em relação às portagens, podiam acrescentar que enquanto não vissem da parte do governo uma postura diferente no emagrecimento da despesa do Estado, não podiam contar com a sua anuência ou conformismo em relação ao pagamento. É que os portugueses olham à sua volta e o que vêem é que o subsídio de Natal vai ficar uma parte nos cofres do Estado no que respeita à receita. Já em relação à despesa o que se sabe é que o primeiro-ministro passou a viajar em classe económica e a ministra da Agricultura teve um assomo de poupança ao prescindir que os funcionários públicos afectos aos seus serviços trabalhem de gravata, podendo assim poupar-se na energia dos aparelhos de ar-condicionado. Como esta última medida nem no Carnaval tem piada, é natural que as pessoas não se sintam confortáveis de serem sempre os mesmos a pagar a factura da crise.
Ou seja, na minha opinião, fazia sentido dizer que se o governo não der sinais claros de poupança efectiva e de emagrecimento a sério na agora denominada gordura do Estado, então não tinham de ser os algarvios, mais uma vez, a fazer o esforço adicional, ainda mais quando a alternativa à Via do Infante é uma estrada que nalguns troços é miserável. E já agora, reforçar que antes da requalificação da 125, nem pensar. Porque o que vamos ter e isso não há palavras nem comunicados que o escondam, é uma deterioração da qualidade de vida dos algarvios.
Por último uma nota pessoal. Conheço suficientemente bem o cidadão José Macário Correia para saber que ao contrário do que foi dito e escrito, jamais trocaria questões de convicção por favores políticos do governo de Lisboa como contrapartida para a mudança de opinião. Vi e li alguns comentários e observações sobre ele, escritos por pessoas que só são corajosas à frente de um teclado de computador. Algumas delas seriam sérias candidatas ao Prémio Nobel da Preguiça ou da Rebaldaria se existissem tais galardões.
Ainda assim, gostava de o ter visto dizer que enquanto não houver sinais que o esforço toca a todos, sem excepção, não existem condições para convencer os algarvios a pagar uma portagem que é tremendamente injusta.
Infelizmente há um senhor que deve estar a rir às gargalhadas de tudo isto nalguma esplanada dos Campos Elísios, enquanto come uma baguete antes de ir assistir às aulas de filosofia.

domingo, 24 de julho de 2011

Estranha forma de vida

Com cerca de 24 horas de diferença, o mundo foi surpreendido com dois acontecimentos trágicos, cada um com a sua escala e projecção.
Num dia um doido fundamentalista norueguês decidiu semear o pânico no centro de Olso, fazendo explodir um carro bomba bem no coração da cidade, junto de edifícios do governo numa praça muito movimentada.
Horas depois e não contente deslocou-se uns quilómetros a caminho de uma colónia de férias onde disfarçado de polícia e a pretexto de critérios de segurança na sequência do que se tinha passado, por sua iniciativa, em Olso, tirou a vida a dezenas de jovens seus conterrâneos que participavam num encontro de uma estrutura partidária, neste caso a Trabalhista (uma espécie de Juventude Socialista norueguesa).
No dia a seguir, o mundo tomou igualmente conhecimento da morte prematura mas mais do que previsível da cantora Amy Winehouse (nome curioso tendo em conta os seus hábitos de vida).
São dois episódios que se lamentam porque ambos trouxeram consigo a morte de pessoas na flor da idade, mas com características completamente diferentes.
Por curiosidade dei uma vista de olhos pela internet, nomeadamente por esse barómetro da opinião pública que são as redes sociais e facilmente concluí que a morte da cantora inglesa teve mais impacto emotivo que a quase centena de pessoas que perderam a vida inesperadamente.
Terá isto uma explicação? Claro que sim. Como tudo na vida.
A verdade é que a morte de um famoso não se mede nem compara em termos de impacto público com a de 100 anónimos e o mesmo acontece quando se pratica um crime ou quando se sabe de uma condenação, em situações semelhantes ou não. Quando morre um famoso há uma consternação pública muito maior e até um grau de tolerância para os disparates que fez em vida. Quando morre um anónimo, é apenas mais um. Mas quando morrem uma centena às mãos de um louco, aí a coisa toma proporções diferentes. No entanto, a opinião pública manifestou-se muito mais no sentido de pesar pelo falecimento da Amy Winehouse do que pelo sucedido na Noruega. E a mim isso causa-me estranheza.
Lamentando a morte da jovem britânica de 27 anos, a verdade é que tudo se assemelha a uma escolha que ela própria fez. Vivia desafiando os seus limites, embriagando-se e encharcando-se em drogas, mesmo nas alturas de maior responsabilidade. Subia aos palcos a cambalear, chegava mesmo a cair, não cantava, enervava o público que havia pago o bilhete para a ver e ouvir e se sentia defraudado, envergonhava os seus músicos e torrava a paciência ao restante staff. Em breves palavras: era uma má profissional.
Dirão agora que é o peso da fama que uns suportam e outros não. Sim, deve ser mesmo isso. Que fama ou sucesso tem o Zé dos Anzóis quando decide fazer exactamente o mesmo, embriagando-se todos os dias e consumindo drogas pesadas? São é opções de vida. Toda a gente tem problemas, seja famoso ou anónimo, mas nem todos lidam com eles da mesma forma.
Na droga entra quem quer e sai quem pode. E Amy bem que podia ter-se livrado dessa vida que a destruiu precocemente e lhe retirou a possibilidade de viver uma longa e promissora carreira na música. Fez a sua opção.
Já os jovens da Noruega apenas queriam viver, conviver e certamente construir uma vida própria. Alguém lhes cortou o sonho. O da Amy foi ela própria que tratou de decepar. Mas a opinião pública, porque se trata de uma famosa rebelde, emociona-se mais com este caso o qual não o deixará de transformar em mito.
Os mitos também têm de fazer para o merecer. Alguém simplesmente auto-destruir-se porque não consegue lidar com a circunstância de uma vida de fama e de dinheiro, podia fazer então a opção de vir para Portugal ganhar o ordenado mínimo nacional e ter de orientar a vida. Talvez nessa altura soubesse o que é lidar com problemas.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Não me conformo

Nunca tive qualquer esperança que o PSD, depois de chegar ao governo, não continuasse o processo de colocar portagens na Via do Infante, até porque foi ele quem de alguma forma ajudou a despoletar a situação, quando nas SCUTs do norte foram introduzidas estas medidas de pagamento pela sua utilização. Sócrates aproveitou na altura a boleia e mandou portagens também para o Algarve.
Deu-se então a circunstância, e isso tem relevo para o assunto, de o PS ter perdido as eleições e o PSD ter ganho. Como nos programas nem era feita qualquer referência ao assunto, ficou claro para mim que independentemente de quem viesse a ganhar as legislativas, nós os algarvios íamos gramar com a pastilha de pagar por uma estrada onde uma boa parte dela já foi paga pelos fundos europeus e pelo dinheiro dos nossos impostos.
O PS começou por querer vender-nos a história das portagens com uma alegada requalificação da comummente denominada EN125. Participei pessoalmente nalgumas reuniões de desenvolvimento do projecto, as suficientes para saber que vão passar muitos anos até que a 125 seja uma estrada minimamente decente, coisa que actualmente não é. Para os menos esclarecidos sobre o assunto, convém referir que após esta requalificação a 125 terá tantas rotundas que duvido que nalguns (muitos) troços da estrada, seja possível circular a mais de 50 Km/hora. Mas isso é outra história.
O que conta é que os algarvios vão em breve pagar portagem na Via do Infante sem terem qualquer outra alternativa que possa, não digo servir de exemplo na Europa civilizada mas pelo menos não nos envergonhar por completo.
Como simples cidadão que gosta da sua região, desejava ver os principais responsáveis políticos da nossa região a continuarem a bater o pé a esta medida, não se conformando com a decisão deste e do anterior governo.
Eu ouvi e li os argumentos pelos quais se conformam, mas acho que não constitui novidade para a esmagadora maioria dos portugueses, e por maioria de razões par aos mais informados, o estado caótico a que chegaram as finanças públicas do país, há um ano a esta parte. Ninguém precisou da troika para saber que Portugal estava de pantanas. Só quem andou distraído ou não quis ver, se espantou com as conclusões do documento que serviu de base ao empréstimo que nos salvou temporariamente da bancarrota. Como tal não há nenhum facto novo, ou por outra, há um: o governo mudou.
Não mudar de opinião, manter a posição contrária à medida, mas baixar os braços, nesta altura do campeonato, cai mal na opinião pública porque fica a ideia que ontem não se conformavam porque o governo era PS e hoje já o fazem porque é PSD. Ora eu, sendo certo que a minha opinião de nada vale, não me conformo. Podem obrigar-me a pagar, mas eu não me conformo. Porque conformar é parar de lutar. Conformar é ceder. E ou se cede porque nos apontam uma alternativa melhor ao problema que está criado ou então fica a ideia do tipo “se não podes com eles, junta-te a eles”.
Na 125 vai aumentar o tráfego e consequentemente a sinistralidade, porque aquela avenida que cruza longitudinalmente a região já não dá para as encomendas. Só quem não circula todos os dias na 125 é que pode pensar que ela vai resolver os problemas de circulação no Algarve depois de requalificada. É falso. Vão morrer mais pessoas por ano do que actualmente acontece.
Quanto a nós algarvios, vamos perder qualidade de vida porque alguém estoirou o país e porque quem veio para o salvar só sabe recolher receitas nos bolsos dos mesmos de sempre.
Como tal, não me conformo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Afinal votei bem

Em Janeiro de 1991 votei pela primeira vez. Eram as eleições presidenciais onde concorriam Mário Soares e Basílio Horta. Ainda com pouca consciência política mas já com manifesta simpatia pelo PSD que nessas eleições não apresentou candidato próprio, se assim se pode dizer tendo em conta que nas presidenciais as candidaturas não são partidárias, votei em Mário Soares. Cavaco Silva na altura tinha dado sinais de proximidade a esta candidatura na medida em que o PSD não patrocinou qualquer outra, depois de um mandato presidencial muito tranquilo do ponto de vista institucional por parte de Mário Soares, contrastando com o que protagonizou no segundo, onde foi a face mais visível da oposição ao então governo social-democrata.
Passados uns meses aderi ao PSD, partido onde me encontro inscrito até hoje, com as quotas pagas, e do qual não pretendo mudar, porque não sendo a mesma coisa que ser do Benfica que se é para toda a vida, a verdade é que não gosto do mercantilismo partidário onde um dia são de uma cor e passado um tempo são de outra. Admito um dia poder não ser militante do PSD, por qualquer razão, não admito inscrever-me em outro dos já existentes ou a criar. Tenho razões ideológicas de fundo para ser do PSD e não apenas o gosto pela cor de laranja ou uma qualquer conveniência conforme acontece com alguns companheiros meus.
Serve isto para dizer que passados uns meses arrependi-me de ter votado em Mário Soares quando comecei a ver o seu comportamento de pouca colaboração institucional, participando na vida política do país como “força de bloqueio” conforme foi apelidado na altura por Cavaco Silva.
Soares era o rosto da oposição, numa altura em que poucos acreditavam nos méritos políticos de António Guterres que após a derrota de Jorge Sampaio nas legislativas de 1991, tomou conta do PS.
Vivi com este arrependimento até aos dias de hoje. Bolas, logo na primeira vez que vou votar faço asneira. Pensei: - Coisa de jovem que não pensa duas vezes no assunto e acaba por fazer disparate. Isto com a idade muda.
É verdade que em Outubro de 1991 votei bem e ajudei a dar a maioria absoluta a Cavaco Silva, mas o arrependimento conviveu comigo até hoje. Digo até hoje porque já não estou arrependido.
O candidato alternativo a Soares em 1991 era Basílio Horta, que hoje está no parlamento na bancada do PS. O mesmo que tinha concorrido com o fundador do socialismo português, com o qual foi bastante agreste durante a campanha eleitoral, coisa que já na altura me fez muita confusão e ajudou a decidir o sentido de voto. Ainda ontem vi Basílio, não o primo de Eça mas um dos fundadores do CDS, a defender a participação do Estado em sectores estratégicos da economia, presumo que se referia às golden-shares que a União Europeia há muito defende a sua extinção por manifesta ilegalidade. Confesso que vê-lo a aparecer na altura em que apareceu ao lado de Sócrates cheirou-me mais a conveniência do que a convicção e isso também ajudou a que o meu sentimento de arrependimento desaparecesse.
Hoje sinto-me mais tranquilo. Aos 19 anos de idade afinal não me enganei. Votei bem. É que antes votar em alguém com que não se concorda mas que é fiel e coerente aos seus princípio de vida e políticos, do que num candidato que troca a camisola conforme a conveniência e diz hoje coisas contrárias ao que antes defendeu. Ser do CDS mesmo nos primórdios do partido, não é a mesma coisa que ser hoje socialista, isto do ponto de vista ideológico.
Álvaro Cunhal, na minha opinião não foi um defensor da liberdade e defendeu regimes totalitários que assassinaram muita gente. Mas com ele sabíamos todos com o que podíamos contar. Mário Soares foi sim um defensor da liberdade e da democracia e goste-se ou não e eu não gosto muito, sabe-se igualmente com o que se conta.
Acredito que Basílio Horta já tenha lido O Conde de Abranhos do Eça. Não lhe fazia mal lê-lo de novo.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Choque de Verdade

Os dois últimos primeiros-ministros antes de Passos Coelho, Durão Barroso e José Sócrates, utilizaram um sound-byte semelhante para marcar uma vontade das respectivas governações: os choques. Barroso tinha o choque fiscal, Sócrates o tecnológico.
O ex-líder do PSD prometeu em campanha eleitoral uma descida dos impostos como forma de relançar a economia, o consumo privado e a competitividade das empresas. Quando chegou ao governo disse no Parlamento que tinha encontrado um país de tanga e por isso em vez de descer impostos, subiu o IVA.
Sócrates virou-se para o choque tecnológico para facilitar a vida às pessoas e para as tornar mais IT friendly. O principal argumento deste choque foi o famosíssimo computador Magalhães, distribuído às crianças nas escolas sob o olhar embevecido do então primeiro-ministro e dos seus colegas de governo. O Magalhães, fabricado por uma empresa cujas dúvidas nunca foram dissipadas, fez sucesso sobretudo nas mãos de Chávez, que numa daquelas sessões para pacóvio ver onde faz a apologia de uma democracia que só ele entende, decidiu mostras aos seus quejandos, a robustez exterior do pequeno computador luso. Digo exterior porque duvido que Chávez saiba a diferença entre a tecla Enter e o disco rígido.
Hoje os portugueses estão mais tecnológicos e mais info-incluídos, pese embora uma larga quantidade de alunos do 9º e do 12º ano não saber construir uma frase em português correcto (sabem com certeza escrever em linguagem de chat ou de sms) e muito menos a tabuada. Com um pouco de sorte, saberão a tabuada dos 2, porque a decoraram sob forma de ladainha, como quem decora a letra de uma música da Lady-GaGa.
Posto isto faz falta um terceiro choque, o qual, quero crer, muito ajudaria à credibilização da política, da economia e da sociedade em que vivemos: o choque da verdade.
Hoje não há cem por cento de certeza na veracidade da informação que nos é fornecida. O que num dia é dito, é desmentido mais tarde e a mentira tem consequências políticas, financeiras e sociais. Depois a Justiça tarda e nalgumas vezes falha e a impunidade segue em frente no seu percurso triunfal.
Se na política a mentira pode ser punida com derrotas eleitorais, temos um exemplo recente, na economia e nas finanças nem sempre é possível castigar quem não fala a verdade, usando esse método para especular e levando nalguns casos empresas à falência e pessoas ao desemprego ou a situações em que são os próprios países através da forma como estão expostos aos mercados e às suas consequências, a sofrerem as consequências desse perigoso método de mentir.
Veja-se também o sempre recorrente problema da evasão fiscal, em que as empresas e os empresários usam métodos de contabilidade criativa para fugir aos impostos, entre outros expedientes. Tem por base o quê? A mentira, naturalmente.
Ou seja, o culto da verdade traria inegavelmente mais benefícios que prejuízos aos mesmos de sempre, isto é, os que vivem permanentemente a ser enganados (eleitores que ainda acreditam na força do voto e povo trabalhador por conta de outrem), aos que não têm como enganar (povo trabalhador por conta de outrem, novamente), e aos que não querem fazer do engano e da mentira um modo de vida (haverá ainda alguns, estou certo).

quinta-feira, 14 de julho de 2011

As motas em Faro

Uma declaração prévia: não aprecio motas, não sei andar e não tenho vontade de aprender. Para mim as duas rodas são sem motor, movidas com a força das pernas. As motas gosto de as ver passar, algumas acho autênticas obras de arte pela beleza e sobretudo pela singularidade estética, mas faz-me confusão um veículo que atinge velocidades muito altas, onde a cabeça do seu condutor é o pára-choques. É verdade que elas andam aquilo que a pessoa quiser e tanto voam em cima da estrada como circulam a velocidades civilizadas e de acordo com o Código da Estrada.
Posto isto tenho que fazer a vénia ao que é provavelmente o principal evento de cariz internacional que se realiza na magnífica região do Algarve: a Concentração do Moto Clube de Faro.
Nunca fui à concentração na medida em que entendo que para ir a um evento daquela natureza é preciso estar imbuído do espírito motard e chegar ao local de mota. Imagino que alguns dos seus visitantes e participantes raramente coloquem o traseiro em cima de uma mota. Vão lá pelo convívio, pela curiosidade, pela música ou apenas pela diversão. Admito que se fosse traria para casa os cartões de memória da máquina fotográfica lotados de bons “bonecos”. Mas ir à concentração não é como ir a um festival de música de Verão. Pelo menos é a ideia que tenho.
Como tal nunca fui e provavelmente nunca irei.
Ainda assim, acho absolutamente louvável que a vontade de um grupo de amigos há trinta anos atrás, apenas movidos pela carolice e pelo amor às motas, tenha sido capaz de transformar um pequeno convívio num mega-evento à escala mundial. Porque é disso que se trata, uma vez que chegam motards das mais diversas proveniências.
Admito também que o ambiente da festa seja interessante e divertido. A julgar pelas imagens da televisão, deve ser engraçado ver de perto aqueles rapazes e raparigas que mantêm uma relação pouco amigável com a água e o sabonete e ostentam cabeleiras que mais parecem hotéis de cinco estrelas para parasitas capilares.
Ou seja, não é exactamente o meu tipo de festa mas acho que se trata de um motivo de orgulho para a região e oxalá seja possível que a Concentração do Moto Clube de Faro se mantenha como grande evento por muitos e bons anos.
Tenho pena que, como em todas as festas, haja quem não se saiba comportar, coloque a sua vida e a dos outros em perigo e tente estragar aquilo que é o verdadeiro espírito motard. Enfim, nada é perfeito. E com tanta adrenalina misturada com sumo de cevada, não é de admirar que alguns palhacinhos façam das estradas da cidade de Faro uma pista de circo para exibir os seus malabarismos que muitas vezes terminam com uma aterragem forçada e uma estadia no Hospital Distrital, quando não é pior.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Debate sem história

Vi ontem já fora de horas e em diferido o debate entre Seguro e Assis na SIC Notícias, coisa que pela televisão não voltará a acontecer porque o futuro secretário-geral do PS, o Seguro, tem receio, medo, pavor, que o vejam em debates na medida em que não tem nada para debater.

Não consigo ter uma opinião muito concreta do debate por duas razões: a primeira porque me deu uma sonolência terrível ver dois tipos a falar das mesmas coisas de sempre, dos laboratórios de ideias, dos gabinetes de estudos que ninguém sabe bem para que servem, da necessidade de ouvir militantes e simpatizantes e de mais um conjunto de tretas que são ditas em eleições internas em quase todos os partidos. A segunda porque qualquer um dos dois está tão preso a um partido que caiu no descrédito dos portugueses, graças a Sócrates e aos que lhe seguiram no rumo de deixar Portugal de pantanas, que qualquer coisa que digam soa a anedota de alentejanos. Logo por ali nada de novo e é bom que se vão habituando a um longo período na oposição.

Tive apenas um pequeno momento de maior atenção quando os dois se picaram, já nem sei bem porquê. Aí Seguro mostrou um ar de virgem ofendida e Assis de rebelde temerário.

Mas o que é mesmo hilariante nos dois é o debate que fazem em relação às parecenças de Seguro com Passos Coelho. Não sei se Seguro sabe cantar ou se é do Benfica. Se for assim, então há parecenças. Caso contrário não encontro nenhuma outra entre o futuro líder do PS e o actual primeiro-ministro. Mas acho curioso que os dois debatam a questão da parecença ou não, o que só demonstra a importância que dão à figura alheia do líder do PSD que, apesar de ausente da purga por se encontrar a apanhar os cacos de um Portugal quase desfeito pelas cabeças troncos e membros de ilustres e venerandas figurinhas do socialismo moderno nacional, consegue condicionar o debate.

Em suma, foi um debate que ninguém recordará, da mesma forma que Seguro não deixará boas lembranças ao PS quando os seus militantes perceberem a vacuidade política do mesmo e o puserem a mexer.

Mas que não se deixe de tirar ilações desta eleição. E para mim há uma que é óbvia: o que parece ser melhor e mais simpático para o partido, nem sempre ou quase nunca é o melhor para o país. Estou convencido que os portugueses preferiam ver à frente do PS um líder menos próximo dos piores defeitos do aparelho partidário, pântano onde Seguro navega bem.

Crimes para todos os gostos

Onde se vai notar cada vez mais os efeitos da situação de crise que se vive em Portugal, é na segurança ou neste caso na falta dela.
Todos os dias são-nos presentes novas notícias de criminalidade organizada e cada vez mais violenta. O Algarve é uma das regiões onde isso se vem notando, com particular incidência para a cidade de Albufeira.
Não haverá dúvidas em relação à preocupação dos responsáveis mas o que se vê é um aumento do estado de insegurança. Hotéis assaltados a meio da noite, casas particulares e lojas devassadas à luz do dia, caixas multibanco arrancadas das paredes, turistas agredidos e roubados, enfim um cardápio de crimes que se vem notando no país, mostra que algo não está bem.
A criminalidade está associada aos factores de incerteza e de falta de soluções com que algumas pessoas se confrontam e também a algum estado de desespero. Porém, a constatação que as forças de autoridade estão confrontadas com dificuldades de operacionalidade, leva a que o terreno para o crime, um mais organizado que outro, se torne mais fértil.
Depois há a ideia que a Justiça em Portugal não tem o hábito de punir os prevaricadores, o que nem sempre é verdade. Há casos em que quem rouba vai mesmo preso, sendo certo que passado pouco tempo está cá fora novamente com uma particularidade: a estadia na cadeia permitiu o aprofundar de conhecimentos sobre a actividade criminal. Para alguns é uma espécie de pós-graduação ou mestrado na “arte” de levar consigo aquilo que não lhe pertence.
Voltando ao Algarve o problema dos meios é, aparentemente, o calcanhar de Aquiles da operacionalidade das forças de segurança. Havendo um aumento significativo de pessoas a circular na região nos meses de Verão, o policiamento não pode ser feito com o mesmo efectivo de Janeiro ou Novembro.
Desconheço se os números da criminalidade declarada no Algarve são superiores ou inferiores aos do ano passado. Aquilo que vejo é que há casos cada vez mais violentos. Nem é preciso referir o efeito que isto tem na imagem turística da região. Qualquer dia ainda alguém se lembra de vender um pacote de férias radicais, onde é dada ao turista a hipótese de ver ao vivo e a cores um assalto à mão armado ou o arrombamento de uma caixa multibanco. Para quem vem de países onde a segurança é feita a sério e com severidade para os prevaricadores que vão mesmo para a cadeia, ver o nosso caso pode ser uma experiência exótica.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Os debates nas eleições do PS

Na imprensa deste fim-de-semana vem a constatação do receio que Seguro tem de debater com Assis. É natural, quem não tem ideias não tem condições de ir a debates, porque lá não é suposto falar-se do estado do tempo nem de gastronomia. Ali fala-se de ideia, projectos, do passado, do presente e do futuro. Quem quer ser líder de um partido não pode fugir a isto. É o mínimo.
Seguro entretanto lançou um livro que está à venda nos hipermercados do país o qual deve ser uma bíblia de banalidades a que ele e os seus apoiantes supostamente chamam ideias para o futuro. Bem sei, Pedro Passos Coelho também escreveu um livro. Admito que se pense a mesma coisa do líder do PSD. Daí talvez o método: editar um livro para chegar a primeiro-ministro. Se isto fosse assim tão linear, a Margarida Rebelo Pinto já estava cansada de nos governar.
É cada vez mais óbvio que Seguro é o próximo líder do PS e isso deixa-me feliz. Com ele a hibernação socialista no degredo da oposição será bem longa se Passos Coelho mantiver a governação pelo menos nos mínimos da seriedade e da vontade de mudar as coisas, pese embora estas surpresas do subsídio de Natal e outras que provavelmente ainda aparecerão. Mas o povo está tão cansado de ser maltratado, a julgar pelos últimos anos do consulado socrático, que manter os mínimos da decência não será assim tão difícil. Ainda assim, mantém-se a condição política cada vez mais óbvia, na minha opinião: o Poder não se conquista, perde-se.
Se Passos esticar muito a corda, não é de admirar que quem estiver a lidera o PS na altura, mude o local de trabalho para São Bento.
Voltando à questão dos debates, a decisão de Seguro não estranha. Quem está à frente porque tem consigo o aparelho partidário, não precisa de se chamuscar em debates. Esses debates teriam influência no resultado? Talvez tivessem algum, sendo certo que o mesmo está decidido a favor de Seguro. O que este candidato teme mesmo é que a vacuidade do seu pensamento político em relação ao país se torne óbvio, não para os militantes do PS, mas para o país em geral. E Assis não é um vácuo de ideias, muito pelo contrário. Mostrar isto muitas vezes de forma tão visível pela janela das televisões, seria pouco benéfico para Seguro. O que me estranha a mim é que os militantes do PS se sintam confortáveis com esta condição. Também ao que parece são muito poucos. Não passam de 8 mil os que estão em condições de votar por terem as quotas pagas. Os outros devem estar à espera que o PS esteja prestes a voltar ao governo para pagarem as quotas e assim aparecerem bonitos na fotografia de candidatos a candidatos a um tacho qualquer.
Deixai-os estar assim que estão muito bem.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A falência dos regimes

Os dois principais regimes antagónicos têm entre si uma semelhança enorme, o que nada faria esperar. Todos dois seguem os melhores propósitos mas ambos acabam por se revelar destrutivos e altamente perigosos. A razão é simples: a sua principal vítima, quando algo não corre bem é o povo, nomeadamente os mais fracos e desfavorecidos.
Uma das características do comunismo é não haver liberdade de expressão. Tudo o que é divulgada é previamente visto, revisto e autorizado pelos donos do regime. Sendo assim o povo só escuta, vê ou lê aquilo que lhe é posto à frente e não tem possibilidade, sem correr riscos, de escutar, ver ou ler outra coisa diferente. Como tal vive numa ilusão, num mundo que lhe é mostrado mas o qual está longe de ser o real.
No capitalismo a informação é uma dos factores mais preponderantes. Ela circula em fracções de segundo e chega de uma ponta a outra do planeta em breves instantes. Porém nem sempre é verdadeira e nalguns casos também nos mostra uma realidade distorcida, não sendo impeditivo que se recolham dados de outras fontes. Acontece que a importância exagerada que lhe é dada, leva a que um grupo de pessoas e nalguns casos apenas uma, possa influenciar negativamente a vida de um país, das suas instituições, das suas empresas e por acréscimo da sua população.
Numa espécie de delírio colectivo, tanto num regime como no outro, as pessoas habituaram-se a emprenhar pelos ouvidos e assimilam tudo o que lhes é dado para consumir em termos de informação. Aceitam as coisas sem as colocar em causa. Esquece-se o rigor e substitui-se por uma espécie de dogma, do tipo: se eles dizem é porque é verdade. O resultado está à vista. No comunismo é assim e no capitalismo também.
O resultado final vem a ser o mesmo. Os decadência, a falência dos sistemas económicos, o desemprego, a pobreza e em mais casos do que seria suposto, a fome. Sim, há fome e pobreza em ambos os regimes, porque os dois, ao contrário do que é propagandeado, servem mais os interesses das cúpulas do que das bases. O directório manda e o povo obedece. Qual é o passo seguinte? O conflito.
Os dois sistemas estão em perfeita decadência, um mais do que o outro. No caso do comunismo, ainda continua a haver resistência, embora muito mitigada e cada vez mais travestida. Cuba um dia vai colocar o regime com as barbas de molho, a Coreia do Norte se um dia descobrir que cá fora há um mundo onde as pessoas não se vestem todas de igual talvez faça o mesmo e a China tem uma coisa híbrida que é um comunismo capitalista para lá de selvagem, sem regras laborais nem protecção social, que por agora cresce mas um dia também dará o estoiro.
Como tal, talvez não falte muito tempo para se encontrar um regime alternativo que não pode ser nem uma coisa nem outra. Alguém que o invente depressa, porque estes que temos agora estão cada vez mais a destruir a paz da humanidade.

O Assis tem razão

O candidato a secretário-geral do PS Francisco Assis, deu uma entrevista à Rádio Renascença de onde se pode retirar um excerto que é uma autêntica pérola de verdade em relação à forma de estar e de governar dentro daquilo que Sócrates chamava a esquerda moderna.
Assis acha que seria esquizofrénico o PS governar sob as orientações determinadas pela troika, cujo partido anuiu, porque as mesmas são uma violência para aquilo que considera ser a matriz ideológica do PS. Esmiuçando melhor a coisa. O documento de orientação determina um conjunto de acções que depois de concretizadas levarão Portugal a cumprir com o dever de reembolsar o financiamento que evitou a bancarrota. Contém, portanto, medidas de austeridade e rigor e esses não são os padrões de boa consciência do socialismo moderno. Os padrões do socialismo moderno são gastar o que há e o que não há, de preferência à tripa forra, numa lógica de fartazana enquanto dura e que no fim alguém feche a porta, neste caso pague a factura.
Isto é o que o PS entende como governação de esquerda que depois encontra subterfúgios de justificação no Estado Social sem critério nem rigor, no facilitismo, no nacional porreirismo e, claro está, na clientela voraz que precisa ser alimentada com champanhe e caviar, entre outras mordomias.
Rigor, austeridade, esforço e contenção são factores que não combinam com a matriz ideológica do PS. Isso é endossado aos partidos de direita.
Como tal, Assis considera que é bom para o partido passar agora uns tempos na oposição para fazer a devida cura. Não se trata de curar, porque a doença dos socialistas não tem tratamento. O que ele pretende dizer é que mal as coisas estejam mais estabilizadas e volte a haver folga para estoirar com os recursos do Estado, então o PS está novamente em condições de regressar ao governo. Até lá, o PSD que trate das dificuldades e tire o país da encruzilhada em que o deixaram.
Por isto é que eu achava que a única forma de castigar Sócrates pelo que fez ao país, era mantê-lo como primeiro-ministro. Porém, ninguém merece isso.

terça-feira, 5 de julho de 2011

RTP: privatize-se rapidamente de preferência amanhã.

Por mera brincadeira pode-se dizer que a melhor maneira de acabar com a despesa do Estado é acabar com o próprio Estado. Há anedotas mais engraçadas. Esta tem pouca piada. Porque a verdade é que o Estado tem de existir a partir do momento em que existem pessoas e necessidades a suprir. O que é necessário fazer é tornar o Estado mais racional e eficiente, concentrando as energias no fundamental em detrimento do acessório, ou seja, menos Estado mas melhor Estado.
Assim, matérias como a Educação, a Segurança, a Defesa, a Justiça, a Saúde, o Ordenamento do Território, o Ambiente, entre algumas outras mas não muitas, têm de ficar debaixo da alçada do Estado como forma de garantir o normal funcionamento das instituições e a organização da vida das pessoas em sociedade.
A questão que coloco é se faz sentido o Estado ser dono de um canal de televisão o qual é um sorvedouro de recursos financeiros, nomeadamente impostos dos contribuintes. Na minha opinião, nos dias que correm, não faz.
A RTP que temos, nomeadamente o seu canal principal, oferece a mesma programação dos outros dois canais privados, ou seja: notícias, filmes, futebol, outros desportos mas muito menos que o anterior, novelas, concursos, celebrações católicas e não de outro credo ou confissão, entretenimento, programação infantil e juvenil e por aí fora.
O seu segundo canal, conhecido por RTP2, a programação tem uma natureza um pouco diferente, abrangendo sobretudo os chamados públicos minoritários, através de uma oferta mais específica que não é tão susceptível de prender a atenção de muitos telespectadores. Porém custa dinheiro e não é pouco.
Depois temos os outros canais, os regionais da Madeira e dos Açores, o Internacional, a RTPN de notícias, o Memória e o Mobile. Julgo que são estes os canais em que o Estado suporta o seu funcionamento.
Tudo isto custa milhões de euros por ano ao Estado e pesa bastante na nossa contribuição através dos impostos. Basicamente o que a RTP faz os outros canais também fazem, sendo certo que não estão, pelo menos moralmente, condicionados ao que é vulgarmente denominado como serviço público de televisão, cuja definição é de tal forma abrangente que pode caber tudo inclusive algum pormenor que alguém se lembre de encontrar para justificar a sua existência.
Pessoalmente faz-me confusão que o serviço público de televisão seja o Preço Certo do anafado Mendes, o Último a Sair da Floribella aos gritos qual peixeira do Bulhão ou o João Baião aos saltos entre outras pérolas da pimbalhada e da brejeirice nacional.
A verdade é que a televisão pública é uma arma política que nenhum governo quer prescindir e duvido que Passos Coelho dê um exemplo em sentido contrário. A RTP1 e o seu serviço informativo, servem os interesses dos sucessivos governos, umas vezes de modo mais descarado do que outras. Os jornalistas, talvez vítimas do sistema, colaboram ou não. São fios condutores das instruções que chegam de cima, que não deixam margem de manobra para uma informação isenta e rigorosa. Não quero generalizar nem ser injusto, mas independência informativa não tem sido nos últimos tempos o padrão de qualidade da RTP. Porquê? Porque está instituído há muito tempo em Portugal que o cão não morde a mão do dono. Se o dono alimenta o cão, ele só tem de obedecer, não ladrar e muito menos morder.
Sendo assim a RTP faz falta ao poder político, mas quem paga a factura somos nós.
Neste contexto, e não havendo vontade de ter um serviço público de televisão no verdadeiro acesso do termo, mais vale privatizar. É abrir uma guerra sem quartel com a TVI e a SIC motivada pelas receitas da publicidade? Que seja. Quem quer almoçar que pague a conta. Não cabe aos contribuintes fazê-lo, uma vez que ficam quase sempre à porta do restaurante a ver o deleite dos habituais comensais, que são os mesmos de sempre.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O nosso destino é pagar impostos

Durão Barroso, José Sócrates e Pedro Passos Coelho. O que há em comum entre estes três homens? Prometeram uma coisa em campanha eleitoral e fizeram outra. É a triste sina da política portuguesa.
Barroso com o seu choque fiscal, Sócrates com o aumento do IVA e Passos com o corte no subsídio de Natal. Dir-se-á que só o fizeram porque tinham mesmo de o fazer para evitar situações de ruptura orçamental. Talvez. Mas semanas antes tinham estado a dizer aos eleitores que não o fariam e daí a indignação.
Eu que já acredito em quase tudo, só me resta concluir que o descaramento não tem mesmo limites.
Perante isto só vejo uma solução: que a mentira dê perda de mandato. Explico melhor.
Um candidato a primeiro-ministro faz um conjunto de promessas aos eleitores. Para isso servem os programas eleitorais. Pois bem, deviam ser obrigados a fazer apenas o que vem escrito nos programas e os mesmos não poderiam conter generalidades nem banalidades como foi bom exemplo o do PS nas últimas eleições. No documento têm de constar medidas objectivas, escritas em português claro que toda a gente entenda, como fez a troika. Quem ganhar as eleições tem de se cingir a essas medidas. Se aplicar outras que sejam penalizadoras para os eleitores, nomeadamente em matérias que afectam directamente o rendimento e o bem estar das pessoas, perde o mandato e vai para casa dedicar-se à pesca da mucharra ou à apanha de amêijoa e do berbigão.
Isto não é caricatura. É o fôlego final da falta de credibilidade a que está a chegar a política e os políticos.
Mais uma vez são os mesmos de sempre a pagar. Os funcionários públicos e os trabalhadores por conta de outrem. Dir-se-á que esta medida agora apresentada atinge também, em sede de IRS, os profissionais liberais e os empresários. Nalguma coisa acredito que sim. Mas na totalidade como acontecerá aos que descontam até ao último cêntimo os seus impostos, porque não têm por onde escapar, sinceramente duvido.
Também reparo com angústia que a falta de imaginação é generalizada e aumenta exponencialmente após as eleições. Enquanto estão na oposição são criativos. Quando chegam ao governo aplicam as mesmas medidas de sempre que nunca são em relação à diminuição da despesa supérflua do Estado, mas sim no aumento da receita fiscal. É muito mais fácil meter a mão no bolso dos cidadãos. É muito mais difícil cortar nas mordomias, nos salamaleques e na chamada “gordura” que não é mais do que aquilo que ninguém abdica para garantir que o Estado funciona, triturando o dinheiro dos contribuintes.
Sócrates já tinha retirado aos funcionários públicos o subsídio de Natal, uma vez que os cortes salariais que fez, no seu somatório, correspondem grosso modo a isso. Passos Coelho vai tratar do resto.
Está percebido que vamos ter de nos habituar a viver com menos, nalguns casos muito menos. Mas só alguns têm este castigo. Muitos continuarão a viver dos lucros especulativos, da fuga aos impostos, de rendimentos não declarados e de outras artimanhas da engenharia financeira. Lá diz o povo e bem que quem se lixe sempre é o mexilhão.
Da parte que me toca ainda não perdi a esperança de ganhar o Euromilhões, porque a trabalhar já percebi que dificilmente terei uma vida tranquila, uma vez que parte significativa do que ganho fica no Estado para pagar as loucuras de alguém, neste caso concreto do supostamente licenciado em Engenharia Civil.