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A ESCOLA ABANDONADA DE CRIANDE E MORGADE

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Criande, junto a Morgade, é uma aldeia barrosã do concelho de Montalegre, “banhada” pelas águas do Alto Rabagão, uma enorme massa de água situada acima dos 800 metros de altitude. Parte do território desta aldeia foi invadido pela construção da barragem, o qual apenas conhece a luz do dia nas alturas em que as cotas baixas da bacia hidrográfica assim o permitem. Foi o caso quando visitei Criande (Dezembro de 2017, altura em que Portugal estava em período de seca extrema).
Atravessei de bicicleta um trilho que normalmente está submerso e dei de frente com um dos principais símbolos da desertificação do interior: a escola primária fechada e condenada ao abandono. Muito diferente das escolas brancas do Planos dos Centenários a que estou habituado, esta tem um aspecto austero, consequência directa das suas paredes escuras construídas com a pedra da região, o granito.

Com a porta escancarada, obviamente, entrei num dos seus edifícios (eram dois) e lá dentro estava o que restava de outros tem…

HÁ UM PAÍS REAL DO QUAL NÃO SE FALA NOS CORREDORES DO PODER. ESSE PAÍS REAL CHAMA-SE: INTERIOR DE PORTUGAL

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A desertificação tem imagens de referência. A principal, na minha opinião, é a escola primária abandonada. Seja no Norte ou no Sul e no Centro não é diferente, a razão é comum: deixou de haver crianças em número suficiente para manter a escola aberta. A solução é juntar as que restam num transporte com última paragem na sede do concelho onde se reúnem com meninas e meninos de outras proveniências.

Na minúscula aldeia flaviense de Fernandinho, pertencente à União das Freguesias de Loivos e Póvoa de Agrações, a escola primária do Plano dos Centenários fechou há muito tempo, a julgar pelo estado em que se encontra. Sobrou pouca coisa. O cabide, o estrado, o quadro, a salamandra para aquecer a sala nas geladas manhãs de inverno transmontano a quase mil metros de altitude e a secretária da professora com a gaveta aberta sem nada lá dentro. A porta está aberta e os vidros partidos. Pouco mais resta para além das memórias. 

Poucas são as esperanças em relação ao processo de desertificação d…

VILARINHO DE NEGRÕES

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Vilarinho de Negrões podia ser o cenário de um filme. Quando se olha para esta aldeia do Barroso com o Larouco ao fundo e as águas do Alto Rabagão a fazerem dela uma espécie de península, respira-se fundo e espera-se que os sentidos absorvam todas as sensações. É uma espécie de bênção divina. O Criador começou a obra e o Homem fez os acabamentos. Nas suas ruas estreitas o tempo parece que parou. É o silêncio apenas interrompido por uma conversa que vem de dentro de uma casa, o som do motor do trator que passa, o latido de um cão que não gosta de estranhos ou o chocalhar do gado a caminho do lameiro ou a regressar à loja. Tudo o resto é a música silenciosa da natureza no seu estado mais puro.


Na sua parte mais central, depois de cruzar a fachada da capela, um lavadouro cheio de água cristalina recebe o fluxo através de uma torneira cravada na boca de uma face estilizada no granito. Ao seu redor estão casas, umas mais recentes misturadas com outras bem antigas e um relógio de sol guardado…

O meu Caminho de Santiago - Última etapa: Lalin - Santiago de Compostela

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A terceira e derradeira etapa do meu Caminho começou em Lalin. Na verdade o traçado oficial não passa naquela cidade mas sim um pouco mais a sul, perto da Estrada N-525. Por questões de logística optei por finalizar a etapa do dia anterior em Lalin em vez de fazer mais 15 quilómetros até Silleda. Foi uma boa opção.
A distância até Santiago de Compostela eram aproximadamente 57 quilómetros com 1100 metros de acumulado de subida. Ou seja, menos exigente que as etapas anteriores mas com uma dificuldade que contarei mais à frente.
O caminho entre Lalin e Silleda é marcado pela travessia da ponte de Taboada sobre o rio Deza, datada do século X. Nas suas imediações o caminho é feito de empedrado que exige grande perícia para quem segue em cima de uma bicicleta. Junto à ponte encontrei um grupo de escuteiros espanhóis muito animados e acompanhados por um frade que me deram um muito sonoro «Buen Camino».
Uns poucos quilómetros mais à frente parei junto à igreja deSantiago de Taboada onde rec…

O meu Caminho de Santiago - Segunda etapa: Ourense - Lalín

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Quando acordei na manhã do dia da segunda etapa a Caminho de Santiago estava com a sensação de ter sido atropelado por uma manada de touros nas ruas de Pamplona. Não passei bem a noite e percebi que o dia não ia ser fácil por falta de descanso.
Porque a etapa era mais curta que a anterior parti para o Caminho mais tarde. Eram quase 10 horas da manhã. Obviamente que a esta hora já devia estar com quilómetros nas pernas, até porque ao longo do dia cheguei à conclusão que apesar de mais curta que a anterior etapa, esta era claramente a mais exigente do ponto de vista físico e anímico. Foram 65 quilómetros bem mais duros que os 100 do dia anterior.
Para complicar um pouco mais a situação tomei um pequeno-almoço impróprio para quem vai pedalar. Poucos hidratos de carbono. Porquê? Porque não estava bem. Simplesmente. Coisas do organismo. Tem dias.
Fiz-me ao Caminho tendo como referência a monumental Ponte Vella de Ourense a qual permitiu-me atravessar o rio Minho. Seguramente por ela passa…

O meu Caminho de Santiago - Primeira etapa: Chaves a Ourense

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Passavam poucos minutos da 8:30 quando iniciei o meu Caminho. Na primeira etapa tinha previsto despachar metade da distância que me levaria até Santiago de Compostela. Por ser uma cidade grande e muito bonita mas também porque era essa a rota do GPS que tinha comigo, defini Ourense como primeira paragem para pernoitar.
Pela frente tinha essencialmente dois desafios de maior dificuldade. Um logo após a cidade de Verin e outro mais à frente depois de Allariz. Estava em causa seguir pelo Caminho Português Interior até Verin e depois “cruzar” com a Via da Prata cuja origem é Sevilha. Ainda na fase de planeamento cheguei a ponderar a hipótese de rumar a Laza, após passar em Verin. Porém tinha vontade de ir a Allariz e isso só seria praticável se seguisse por Xinzo de Limia. Em termos de dificuldade julgo que seria sensivelmente a mesma. Optei por seguir pelo caminho mais a sul.
À partida combinei com a família que me acompanhava encontrarmo-nos hora e meia depois em Verin para obter o carimb…

O meu Caminho de Santiago – Preparação e Motivação.

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Há muitos anos que ouvia falar do Caminho de Santiago como sendo uma das mais bonitas rotas de peregrinação do mundo, conhecido também pela exigência dos seus vários percursos os quais saem das mais diversas proveniências.  Tendo o gosto pela prática do BTT e sabendo do desafio que constitui chegar à Plaza de Obradorio onde se encontra a Catedral que guarda as relíquias do Apóstolo Santiago (assim o dizem), planeei para estas férias partir de Chaves em direcção a Santiago de Compostela, perfazendo a distância mínima exigida em bicicleta: 200 quilómetros.
O meu “Caminho” não foi feito em autonomia total como muitos ciclo-peregrinos o fazem e como eu acho que deve ser feito, levando na bicicleta a mercadoria necessária para os dias de viagem e pernoitando nos albergues que existem disponíveis para o efeito. No entanto porque a minha vontade era sobretudo experimentar a sensação de percorrer o Caminho de Santiago e o tempo disponível para o efeito eram três dias, fui acompanhado da famíli…