segunda-feira, 25 de julho de 2011

Não me conformo (2ª parte)

As recentes declarações do Presidente da Câmara Municipal de Faro e da Comunidade Intermunicipal do Algarve sobre as portagens na Via do Infante serviram a alguns para o transformar no odioso da questão o que é uma manifesta injustiça e safadeza. Mas o assunto está longe de terminar e o próximo episódio é ver dirigentes do PS, aliás já começaram a mostrar o ar da sua graça, a dizerem que afinal são contra as portagens e que as mesmas não deviam ser colocadas, quando ainda há poucos meses encolhiam os ombros. Já ouvi mesmo o Deputado Miguel Freitas dizer que portagens na Via do Infante só depois da requalificação da 125. Ora isto é um embuste, porque as portagens estavam previstas para ter o seu início em Abril passado e só assim não aconteceu porque o governo do PS, por mera conveniência eleitoral, mandou suspender a sua entrada em vigor. Aliás, causa-me vontade de rir ver que a empreitada que devia estar pronta em Abril passado ainda está em curso. Não conheço os prazos mas espero que se os mesmos estiverem ultrapassados a empresa seja multada, porque a mera suspensão da entrada em vigor, aparentemente, não implica na data de conclusão da empreitada, a menos que o dono da obra tenha pedido para abrandar o ritmo.
Enquanto cidadão e utilizador da Via do Infante, o meu reparo em relação às declarações que foram feitas por autarcas e dirigentes do PSD no Algarve é o timing e uma parte do conteúdo.
O timing porque os argumentos perdem peso em função do facto de o governo ter mesmo mudado. Li o comunicado do Presidente da Câmara de Faro em relação às circunstâncias financeiras que entretanto pioraram em Portugal, mas parece-me que isso não fosse totalmente desconhecido e é natural que o cidadão normal pergunte se não tivesse havido eleições qual seria a sua posição, tendo em conta que o governo do PS se mantinha no poder.
Depois em relação ao conteúdo. Os dois autarcas do PSD que falaram sobre o assunto, Faro e Albufeira, para além de anunciarem que mantinham a posição contrária em relação às portagens, podiam acrescentar que enquanto não vissem da parte do governo uma postura diferente no emagrecimento da despesa do Estado, não podiam contar com a sua anuência ou conformismo em relação ao pagamento. É que os portugueses olham à sua volta e o que vêem é que o subsídio de Natal vai ficar uma parte nos cofres do Estado no que respeita à receita. Já em relação à despesa o que se sabe é que o primeiro-ministro passou a viajar em classe económica e a ministra da Agricultura teve um assomo de poupança ao prescindir que os funcionários públicos afectos aos seus serviços trabalhem de gravata, podendo assim poupar-se na energia dos aparelhos de ar-condicionado. Como esta última medida nem no Carnaval tem piada, é natural que as pessoas não se sintam confortáveis de serem sempre os mesmos a pagar a factura da crise.
Ou seja, na minha opinião, fazia sentido dizer que se o governo não der sinais claros de poupança efectiva e de emagrecimento a sério na agora denominada gordura do Estado, então não tinham de ser os algarvios, mais uma vez, a fazer o esforço adicional, ainda mais quando a alternativa à Via do Infante é uma estrada que nalguns troços é miserável. E já agora, reforçar que antes da requalificação da 125, nem pensar. Porque o que vamos ter e isso não há palavras nem comunicados que o escondam, é uma deterioração da qualidade de vida dos algarvios.
Por último uma nota pessoal. Conheço suficientemente bem o cidadão José Macário Correia para saber que ao contrário do que foi dito e escrito, jamais trocaria questões de convicção por favores políticos do governo de Lisboa como contrapartida para a mudança de opinião. Vi e li alguns comentários e observações sobre ele, escritos por pessoas que só são corajosas à frente de um teclado de computador. Algumas delas seriam sérias candidatas ao Prémio Nobel da Preguiça ou da Rebaldaria se existissem tais galardões.
Ainda assim, gostava de o ter visto dizer que enquanto não houver sinais que o esforço toca a todos, sem excepção, não existem condições para convencer os algarvios a pagar uma portagem que é tremendamente injusta.
Infelizmente há um senhor que deve estar a rir às gargalhadas de tudo isto nalguma esplanada dos Campos Elísios, enquanto come uma baguete antes de ir assistir às aulas de filosofia.

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