segunda-feira, 11 de julho de 2011

Os debates nas eleições do PS

Na imprensa deste fim-de-semana vem a constatação do receio que Seguro tem de debater com Assis. É natural, quem não tem ideias não tem condições de ir a debates, porque lá não é suposto falar-se do estado do tempo nem de gastronomia. Ali fala-se de ideia, projectos, do passado, do presente e do futuro. Quem quer ser líder de um partido não pode fugir a isto. É o mínimo.
Seguro entretanto lançou um livro que está à venda nos hipermercados do país o qual deve ser uma bíblia de banalidades a que ele e os seus apoiantes supostamente chamam ideias para o futuro. Bem sei, Pedro Passos Coelho também escreveu um livro. Admito que se pense a mesma coisa do líder do PSD. Daí talvez o método: editar um livro para chegar a primeiro-ministro. Se isto fosse assim tão linear, a Margarida Rebelo Pinto já estava cansada de nos governar.
É cada vez mais óbvio que Seguro é o próximo líder do PS e isso deixa-me feliz. Com ele a hibernação socialista no degredo da oposição será bem longa se Passos Coelho mantiver a governação pelo menos nos mínimos da seriedade e da vontade de mudar as coisas, pese embora estas surpresas do subsídio de Natal e outras que provavelmente ainda aparecerão. Mas o povo está tão cansado de ser maltratado, a julgar pelos últimos anos do consulado socrático, que manter os mínimos da decência não será assim tão difícil. Ainda assim, mantém-se a condição política cada vez mais óbvia, na minha opinião: o Poder não se conquista, perde-se.
Se Passos esticar muito a corda, não é de admirar que quem estiver a lidera o PS na altura, mude o local de trabalho para São Bento.
Voltando à questão dos debates, a decisão de Seguro não estranha. Quem está à frente porque tem consigo o aparelho partidário, não precisa de se chamuscar em debates. Esses debates teriam influência no resultado? Talvez tivessem algum, sendo certo que o mesmo está decidido a favor de Seguro. O que este candidato teme mesmo é que a vacuidade do seu pensamento político em relação ao país se torne óbvio, não para os militantes do PS, mas para o país em geral. E Assis não é um vácuo de ideias, muito pelo contrário. Mostrar isto muitas vezes de forma tão visível pela janela das televisões, seria pouco benéfico para Seguro. O que me estranha a mim é que os militantes do PS se sintam confortáveis com esta condição. Também ao que parece são muito poucos. Não passam de 8 mil os que estão em condições de votar por terem as quotas pagas. Os outros devem estar à espera que o PS esteja prestes a voltar ao governo para pagarem as quotas e assim aparecerem bonitos na fotografia de candidatos a candidatos a um tacho qualquer.
Deixai-os estar assim que estão muito bem.

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