quinta-feira, 14 de julho de 2011

As motas em Faro

Uma declaração prévia: não aprecio motas, não sei andar e não tenho vontade de aprender. Para mim as duas rodas são sem motor, movidas com a força das pernas. As motas gosto de as ver passar, algumas acho autênticas obras de arte pela beleza e sobretudo pela singularidade estética, mas faz-me confusão um veículo que atinge velocidades muito altas, onde a cabeça do seu condutor é o pára-choques. É verdade que elas andam aquilo que a pessoa quiser e tanto voam em cima da estrada como circulam a velocidades civilizadas e de acordo com o Código da Estrada.
Posto isto tenho que fazer a vénia ao que é provavelmente o principal evento de cariz internacional que se realiza na magnífica região do Algarve: a Concentração do Moto Clube de Faro.
Nunca fui à concentração na medida em que entendo que para ir a um evento daquela natureza é preciso estar imbuído do espírito motard e chegar ao local de mota. Imagino que alguns dos seus visitantes e participantes raramente coloquem o traseiro em cima de uma mota. Vão lá pelo convívio, pela curiosidade, pela música ou apenas pela diversão. Admito que se fosse traria para casa os cartões de memória da máquina fotográfica lotados de bons “bonecos”. Mas ir à concentração não é como ir a um festival de música de Verão. Pelo menos é a ideia que tenho.
Como tal nunca fui e provavelmente nunca irei.
Ainda assim, acho absolutamente louvável que a vontade de um grupo de amigos há trinta anos atrás, apenas movidos pela carolice e pelo amor às motas, tenha sido capaz de transformar um pequeno convívio num mega-evento à escala mundial. Porque é disso que se trata, uma vez que chegam motards das mais diversas proveniências.
Admito também que o ambiente da festa seja interessante e divertido. A julgar pelas imagens da televisão, deve ser engraçado ver de perto aqueles rapazes e raparigas que mantêm uma relação pouco amigável com a água e o sabonete e ostentam cabeleiras que mais parecem hotéis de cinco estrelas para parasitas capilares.
Ou seja, não é exactamente o meu tipo de festa mas acho que se trata de um motivo de orgulho para a região e oxalá seja possível que a Concentração do Moto Clube de Faro se mantenha como grande evento por muitos e bons anos.
Tenho pena que, como em todas as festas, haja quem não se saiba comportar, coloque a sua vida e a dos outros em perigo e tente estragar aquilo que é o verdadeiro espírito motard. Enfim, nada é perfeito. E com tanta adrenalina misturada com sumo de cevada, não é de admirar que alguns palhacinhos façam das estradas da cidade de Faro uma pista de circo para exibir os seus malabarismos que muitas vezes terminam com uma aterragem forçada e uma estadia no Hospital Distrital, quando não é pior.

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