domingo, 22 de maio de 2011

Os feriados de Passos Coelho

Cada pessoa que viu o debate entre Passos Coelho e Sócrates terá a sua opinião em relação a quem ganhou. Eu acho que ganhou o líder do PSD sobretudo por uma razão: não deixou Sócrates falar sozinho e a seu bel-prazer e obrigou-o a ter de justificar algumas vezes coisas que não lhe agradam. Sócrates não querer ser julgado pela sua governação. Passos meteu o ainda primeiro-ministro na gaveta nessa matéria, mostrando que nestas eleições para alem de se discutir as propostas para o futuro, é preciso também encontrar os culpados da situação miserável a que o país chegou e da qual o candidato do PS é o principal responsável.
Posto isto pensei que Passos Coelho ia finalmente descolar da margem curta que o separa de Sócrates e que tem vindo a ser repetidamente mostrada nas sondagens. Bastava para isso capitalizar o bom debate que fez e não cometer erros delicados daqui em diante.
Eis se não quando vejo agora esta história dos feriados que mais não é do que um daqueles assuntos que não sendo devidamente explicado dá asneira. E este parece que vai mesmo dar.
Portugal tem de facto muitos feriados. Não sei se é dos países que tem mais mas não é seguramente dos que tem menos. Alguns desses feriados são católicos e é verdade que nem toda a população os deseja comemorar no seu sentido religioso. Servem então apenas para não se trabalhar nesse dia.
Depois há os feriados que sendo à terça ou à quinta-feira, são estrategicamente aproveitados para as pontes que fazem as delícias de quem trabalha. Tenho por acaso o azar de trabalhar numa empresa que acha e na minha opinião bem, que as pontes servem para passar de uma margem para a outra e não para ficar em casa sem fazer nada. Mas na função pública nem sempre é assim.
No entanto parece-me que a diminuição de feriados não vai resolver problema algum em Portugal. Retirar feriados não significa, a meu ver, mais produtividade. Significa isso sim um molho de brócolos eleitoral para quem fala do assunto. Ajustar os feriados, pode ter os seus benefícios, nomeadamente para evitar as famosas pontes. Acabar com eles é colocar maldispostos vários milhões de portugueses.
Há países com um elevado índice de produtividade e não é por os seus trabalhadores trabalharem mais horas e mais dias. É, isso sim, porque quando estão de facto a trabalhar, são competentes e não se distraem com outras coisas, conforme acontece noutros países onde a produtividade é mais baixa. Trabalhar muito não significa trabalhar bem. E afinal de contas nós não vivemos para trabalhar. Trabalhamos para viver.

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