sábado, 7 de maio de 2011

Os Activos e os à Rasca

Sócrates esteve ontem em Portimão para um jantar de camaradas aos quais apelidou de forma folclórica «Geração Activa». Imagino que estes sejam os antípodas da Geração à Rasca ou Recibos Verdes ou 500€ ou ainda os Deolindos, os tais que vivem há já algum tempo no oceano da precariedade laboral ou simplesmente engrossam as filas à porta dos Centros de Emprego à procura do dito. Com Sócrates no repasto de ontem estiveram os bem instalados à sombra dos gabinetes do Poder ou os que por via do cartão rosa têm bons empregos, assessorias, mordomias ou coisas parecidas com o vulgarmente apelidado de tacho (sem condições de aquecer uma mão cheia de arroz) ou ainda não tendo aspiram a esse desiderato.
À Geração Activa Sócrates auto-elogiou-se, vangloriou-se, pavoneou-se, bazofiou-se, ufanou-se, entre outros auto-mimos. Provavelmente no fim do discurso beijou-se a ele próprio e segredou para o vizinho do lado: - Nem sei como sou tão bom. I love me.
A outra geração, aquela que anda à rasca, não teve acesso ao jantar, mas comeu as “sobras” hoje mesmo nos noticiários da hora do almoço.
Os à Rasca olham para os Activos com frustração. Afinal de contas é tão simples quando as coisas acontecem porque se pertence à tribo. Não é preciso mérito nem trabalho. É apenas necessário seguir os bons ensinamentos da cartilha do Rui Pedro Soares, o bem de vida ex-administrador da Portugal Telecom, que também pertence à equipa dos activos e pelo currículo que tem deve mesmo ter no seu braço a braçadeira de capitão.
O que separa os Activos dos à Rasca, é o resultado do que vai acontecer no dia 5 de Junho. Futebolisticamente falando, esse é o dia da final. Não a de Dublin que o meu Benfica de modo incompetente deixou fugir pelo meio dos dedos dos pés, mas a do futuro que aí vem. Os Activos querem ganhar o jogo, mas se empatarem já não ficam totalmente mal alguns deles. Os à Rasca precisam mesmo da vitória, nem que seja através de um golo marcado com a mão ou fora de jogo. Este é o grande dilema.
Por isso aqueles que não têm lugar nos Activos, mas também não jogam felizmente nos à Rasca, não podem ficar em casa nesse dia. É preciso ir ao estádio e torcer por uma das equipas. Organizados em claques ou simplesmente sós ou na companhia da família, o importante é não ficar refastelado no sofá à espera do resumo do jogo para ver os golos.
É que já aborrece ter um primeiro-ministro com a mania que é bom, a gerir um país que ele próprio destruiu.

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