segunda-feira, 16 de maio de 2011

O senhor FMI foi um totó

O director-geral do FMI, Dominique Strauss-Khan, escolheu o país errado para se armar em garanhão. Nos EUA esta coisa de incomodar uma senhora que tem como única missão arrumar quartos de hotel e fazer camas sem ter necessariamente de se deitar nelas com os hóspedes, é crime e dá cadeia. Se ele tem mesmo esta pancada de se atirar às raparigas bonitas sem o consentimento delas devia ter escolhido, por exemplo, Portugal. E porquê?
Em primeiro lugar pelas funções que desempenha. Era este o homem que iria assinar o cheque para o Sócrates não passar o vexame de ficar com os salários dos funcionários públicos por pagar em Junho. Digo que seria ele a assinar porque desconfio que já não vai ser. Na altura de mandarem para cá o dinheiro ele deve estar a passar umas férias num estabelecimento prisional norte-americano. Sendo assim, nós em Portugal jamais prenderíamos o homem que ia salvar o país da bancarrota. Isso seria uma irresponsabilidade. Tomara nós que ele simpatizasse com a malta. Metê-lo na cadeia por importunar uma cidadã portuguesa seria mais ou menos a mesma coisa que alguém ir a um banco pedir um empréstimo e ao chegar lá começar a bater no gerente. Como é óbvio não levava nem um cêntimo.
Em segundo lugar, nós em Portugal não temos a tradição de prender gente poderosa. Até os podemos interrogar, eventualmente metê-los uns tempos em prisão preventiva, mas depois acabamos por os soltar. Sentenciá-los com prisão efectiva seria uma anormalidade. Ora o senhor Strauss-Khan é ou era dos homens mais poderosos do mundo uma vez que é com a sua assinatura que, por exemplo, se salva o que resta da vergonha na cara de políticos que levam os seus países à bancarrota. Ainda por cima é socialista, o que por cá parece ser mais uma atenuante para não ser preso, nem condenado ainda mais por coisas deste género.
Em terceiro lugar chatear alguém sexualmente, em princípio, não dá cadeia em Portugal. Vejam a rapaziada que andou anos a fio a entreter-se com os miúdos da Casa Pia. Está algum preso? Acham que algum vai ser preso um dia? Até mesmo o que confessou os crimes e mais tarde veio dizer que o obrigaram a beber água com Sonasol e por isso disse coisas sem sentido, está cá fora a rir-se dos miúdos que andou a incomodar uma vida inteira. Portanto brincar ao quarto escuro com uma empregada de um hotel em Portugal, jamais daria a chatice que deu em Nova Iorque.
E já agora, quem é que está errado? Nós ou os americanos? É claro que são os americanos porque se revelam pouco tolerantes e metem na cadeia todos os que aparentemente cometeram um crime. Nem os deixam respirar. Se quiserem provar a inocência, que o façam. Mas lá dentro. Aqui em Portugal nós somos muito mais humanistas e modernos. Preocupamo-nos com as vítimas, às vezes, mas tratamos de nunca marginalizar os agressores para não os perder para a vida. Por isso é que temos esta coisa sui generis de chatear até à exaustão um polícia que deu um tiro a um ladrão porque o encontrou a roubar ou a ameaçar de morte outra pessoa. A culpa é do bandido? Claro que não. A culpa é do polícia que devia estar a fazer outra coisa naquele momento e não soube persuadir diplomaticamente o bandido a não cometer o crime, pese embora o ter encontrado armado sem licença.
Diria portanto em jeito de conclusão que o senhor FMI foi um totó. Foi armar-se em orangotango com o cio para Nova Iorque quando o podia fazer tranquilamente em Lisboa.

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