terça-feira, 27 de agosto de 2013

Esta gente não existe


As pessoas queixam-se regularmente da política e dos políticos mas nunca delas próprias. O caso das condolências presidenciais e tudo o que se seguiu, nomeadamente as reacções dos sectores da opinião pública mais à esquerda e mesmo de extrema-esquerda, mostra que afinal há aqui muita miséria intelectual de sobra, bem como falta de honestidade. 

Indignaram-se os mesmos de sempre, aqueles que pelos vistos passam a vida nas redes sociais e pouco trabalham, com o facto de o Presidente da República ter publicado uma nota de condolências pela morte prematura de António Borges, que, para além de seu amigo e colega de profissão, foi igualmente um ilustre docente e prestigiado economista que percorreu alguns dos mais importantes cargos em instituições privadas e públicas, em Portugal e no estrangeiro.


Tinha opiniões próprias, com as quais se pode concordar ou discordar, mas com certeza ninguém com juízo retira o mérito do seu percurso profissional e académico de excelência. Corrijo, há quem o faça, quem o tente retirar, mas esses são os invejosos do costume, aqueles que não sabem fazer outra coisa que não seja criticar, insultar e denegrir. 


Desta vez e a propósito do falecimento de um ser humano, pai de família e com certeza amigo de muitos amigos, juntou-se uma turba de gente que mete ranço só de os ver abrir a boca, a exorcizar impropérios e insultos nas redes sociais, sem ter em conta o respeito que é devido pela memória de alguém que faleceu.


Note-se que António Borges não foi um perigoso ditador nem um facínora, semelhante a alguns que por esse mundo fora existiram e ainda existem e que são normalmente idolatrados pelos intelectuais de esquerda. Não recaía sobre si qualquer sombra de crime cometido contra quem quer que fosse. Foi alguém que estudou, trabalhou e tinha ideias que podendo merecer a discordância coletiva, eram apenas ideias e pensamentos. Mas esse é o delito para aqueles que nada respeitam e não sabem viver em liberdade. É que se existe característica mais ajustada a quem situa o seu pensamento ideológico na extrema-esquerda, bem como na extrema-direita, é de facto a dificuldade de conviver com a liberdade dos outros. Só a deles importa.


Não satisfeitos, contrastaram a iniciativa do Presidente da República em manifestar publicamente o seu pesar, uma vez que aos bombeiros falecidos enviou mensagens privadas, procedimento esse considerado o adequado nestas situações Acontece que esta mesma gente, caso Cavaco Silva tivesse feito de modo diferente, teria o pretexto prefeito para o insultar e o acusar de aproveitamento político com a morte de alguém que combatia um incêndio. Para eles é mesmo assim. Só o facto de ser quem é já os incomoda.


Na realidade é disso que se trata, mas neste caso como o reflexo num espelho. Aqueles que acusam são os que merecem acusação por atitude tão miserável. Aproveitaram-se das mortes de duas pessoas completamente distintas e com significados diferentes mas ambas dramáticas, para o mais básico e baixo aproveitamento político. Esta gente não tem sentido de honestidade nem de respeito. Actuam ao sabor das suas conveniências, movidos por ódios viscerais em relação aos que não pensam do mesmo modo. Esta gente que pulula entre a intolerância e a simples ignorância são o reflexo da sociedade que temos. Não é só a política que está doente, é toda uma sociedade que perdeu o sentido dos valores da vida e baliza os seus ódios e manifestações públicas em função da contestação aos que não pensam de igual modo. Esta gente não existe. Aliás, infelizmente existe.


Pois eu lamento muito a morte de António Borges, da mesma maneira que lamentei a morte de Miguel Portas e com igual pesar lamento o desaparecimento dos bombeiros que combatiam o fogo que alguém ateou. Para mim a vida e a condição humana estão acima de qualquer outra coisa, sobretudo da política.

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