sábado, 6 de agosto de 2011

A emergência social

O governo apresentou um conjunto de medidas às quais chamou Plano de Emergência Social, que não é mais do que reforçar o esforço no sentido de acudir aos que mais precisam numa altura em que a crise afecta a vida das famílias portuguesas, roubando-lhes o emprego e retirando-lhes, em muitos casos, o pão da mesa ou o medicamento necessário.
São 400 milhões de euros num ano que podem não resolver todos os problemas de fundo, mas que com certeza minoram as dificuldades do dia-a-dia de quem está numa situação de grande aperto financeiro e social.
Estava eu convencido que este plano colheria uma aceitação não digo unânime mas tolerante por parte dos partidos da oposição. Mas enganei-me. Aliás, os partidos de esquerda em Portugal, onde não está incluído o PS uma vez que há muito tempo já se mostrou não ser de esquerda, insurgiram-se, conforme é seu hábito, disparando em todos os sentidos. Para eles haver um governo que não tem um discurso lamechas e mais do que batido dos valores da esquerda e dos pobrezinhos e dos direitos dos trabalhadores, a tomar medidas de cariz social para fazer face a problemas reais da população, é uma espécie de tragédia.
O PCP e o BE têm a ideia de possuir o monopólio das preocupações sociais, mas as medidas que defendem são mais no sentido da distribuição da pobreza por todos do que a riqueza. A riqueza é um termo abominável para estes dois partidos que vêm no Estado a solução para todos os problemas e nele entendem que devem ser concentrados os principais sectores da economia. Mas o que lhes dói mais, e por isso resmungam, é ver um governo de direita a tomar conta do problema. Isso desmonta-lhes o discurso e estorva-lhes a acção política.
Depois o PS que ao longo dos anos tem vindo a meter o socialismo na gaveta mas nos últimos seis incinerou-o para que não restassem dúvidas da sua orientação ideológica confrontada com a prática governativa, veio dizer por uma deputada de terceira linha que ninguém sabe quem é ou lhe conhece o nome, que são contra uma política social assistencialista. Esta é a parte dramática ou anedótica do assunto. É que a política do PS tanto com Guterres como com Sócrates foi exactamente essa, com o seu máximo expoente no Rendimento Mínimo Garantido e depois Rendimento Social de Inserção.
O PS que durante anos utilizou estes instrumentos para fazer política partidária e para angariar votos, distribuindo dinheiro a quem precisa mas também a quem não merece e, pior de tudo, a quem não necessita, passando uma ideia de facilitismo de vida em que não é preciso trabalhar, vem agora contradizer-se a pretexto de ter alguma coisa para dizer. Nem dão tempo para avaliar a práticas das medidas. Recusam-nas à partida.
Esqueceram-se porém de referir que o estado de emergência declarado agora ao nível das questões sociais, são em grande parte fruto das políticas erradas do seu desgoverno, as quais deixaram um país na bancarrota sem capacidade para sustentar o Estado Social que se comporta nalguns casos como uma máquina voraz de consumo de recursos.
Esqueceram-se igualmente que o país precisava criar riqueza e não apenas aumentar a despesa. Que os portugueses, tal como em qualquer parte do mundo, não podem viver acima das suas possibilidades e precisam de uma economia estável que atraia empresas fortes e capazes de criar empregos e investimento. Gastou-se tudo no folclore, em projectos desenquadrados que o país jamais poderia suportar, nos luxos sumptuosos da máquina do Estado e nas mordomias do costume. O resultado está à vista. É de emergência grave.

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