terça-feira, 23 de agosto de 2011

Pagar portagens à Brisa e ficar defraudado

O que vou referir pode ser um tremendo disparate mas como vivemos em liberdade e democracia, tenho esse direito, desde que não insulte alguém.
A tecnologia hoje serve para facilitar a vida às pessoas mas também serve para fiscalizar e corrigir os seus comportamentos e a sua interacção. Como tal, soluções que ontem não existiam e pareciam extremamente complicadas hoje são relativamente simples e até mesmo banais. Lembro-me que quando disse ao meu pai que os muitos discos que ele tem em vinil não eram suficientes para encher a memória do meu iPOD ele ficou desconfiado e achou que a minha noite anterior tinha corrido bem. Afinal de contas eles necessitam de muito espaço físico e o iPOD cabe no meu bolso.
Sendo assim, e por analogia, não sei até que ponto existe ou não um sistema suficientemente inteligente que permita os utentes das auto-estradas da Brisa não serem injustamente prejudicados quando optam por pagar a portagem de modo a usufruírem de uma viagem mais segura e rápida e depois são obrigados a ficar parados horas a fio porque houve um acidente. Naturalmente que os acidentes não se prevêem. Mas numa auto-estrada bem vigiada, como julgo serem as da Brisa, é possível saber com algum grau de exactidão a que horas se deu um acidente e quantos carros estão a viajar nesse momento entre portagens ou até mesmo ao local do sinistro.
É que não faz nenhum sentido que o utente tenha que pagar o mesmo valor por uma viagem feita dentro da total normalidade e outra na mais desesperante anormalidade, em que fica tanto tempo ou mais numa fila do que aquele que necessitaria para fazer todo o trajecto.
Ontem na A2, perto do nó de Castro Verde, deu-se um acidente pelas 9:30 da manhã. O trânsito só foi reposto dentro da normalidade pelas 16 horas. Significa que muitos automobilistas estiveram presos horas a fio numa estrada, engrossando uma fila que chegou a ter vários quilómetros (ouvi nove mas se calhar até foram mais). A alternativa era sair pelo nó que estava disponível e apanhar o IP ou outra estrada secundária de modo a seguir viagem. Seja como for, a viagem para muita gente que consegui seguir em frente depois do acidente resolvido, foi prejudicada nomeadamente no tempo de espera.
O mais justo nestes casos seria não pagar o mesmo preço da portagem como se a viagem tivesse ocorrido com total normalidade. O sistema informático devia ter, se é que não tem, os dados que comprovam a hora de passagem pela portagem, antes e depois do acidente se dar, sendo deduzido um valor de desconto pelo facto de aquela pessoa ter sido prejudicada por manifestamente não ter tido condições de circular a um máximo de 120 kms/hora em toda a extensão do seu percurso. E o mesmo se aplica quando fazem obras que obrigam a condicionamentos de trânsito mas os automobilistas pagam como se a via estivesse em totais condições de circulação.
Dir-me-ão que é difícil, que não se consegue apurar com total justiça os casos em que há prejuízo e por aí fora. Imagino que o mesmo deve ter passado pela cabeça de muita gente quando alguém se lembrou que o homem podia ir à lua.
É tudo uma questão de tecnologia, de vontade e de seriedade ou falta dela na hora de meterem as mãos nos nossos bolsos, quando não são capazes, seja porque razões forem, de nos garantirem um serviço dentro da normalidade.
Se os discos de vinil do meu pai cabem todos no meu iPOD, duvido que a Brisa não consiga ser mais justa com os seus clientes, neste caso as pessoas que circulam nas suas auto-estradas concessionadas.

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