segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Insultos oceânicos

Alberto João Jardim nunca perdeu uma eleição na Madeira e segundo consta nunca houve indícios de irregularidades graves que pudessem condicionar os resultados, o que leva a crer que todas as vitórias foram por mérito próprio porque ao contrário do que alguns julgam, o povo está muito longe de ser parvo.
Quem conheceu a Madeira há uns anos atrás, sabe que a ilha foi completamente transformada e hoje tem um conjunto de infra-estruturas públicas que trouxeram qualidade de vida às populações. Com dinheiro do continente ou da Europa a verdade é que há obra feita e afinal de contas a Madeira e os Açores também são Portugal.
Tivesse o Algarve um Alberto João Jardim e se calhar não haveria portagens na Via do Infante, entre muitas outras coisas.
No entanto aquele discurso tribal já me parece uma coisa completamente em desuso e impróprio para um líder de um partido democrático que tem escrito na sua matriz ideológica a tolerância pelo seu semelhante. A mim não me diverte um único palavrão ou gesto deselegante de Jardim e muito menos os insultos que dirige aos seus adversários. Que ele também é vítima de alguns, não nego. Mas um líder não pode agir como uma qualquer. Um general tem um estatuto diferente de um soldado. E a política não é a arte do insulto.
A Festa do PSD Madeira, também conhecida por Chão da Lagoa, é a maior manifestação popular do PSD. Do ponto de vista da concentração de pessoas só é ultrapassada pela Festa do Avante, com uma pequena grande diferença: no Avante vai lá muita gente que nem sabe o significado da sigla PCP e cujo único interesse é a diversão e a música. No Chão da Lagoa vão os militantes e simpatizantes do PSD.
É portanto um evento de grande mérito, pese embora aquilo que faz notícia são as tais rasteiras que Jardim ontem dava como justificação para a ausência de Passos Coelho. Seja como for e nos dias que correm, não é fácil concentrar tanta gente daquela forma.
Agora os insultos são um despropósito.
Este ano teve a curiosidade de um Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros ter feito de tudo nas vésperas para se envolver na polémica com Jardim e consequentemente com o PSD com o qual está coligado no governo. Portas, que ainda tem muito caminho para percorrer até um dia poder ter o prestígio e o capital político de Alberto João Jardim, atacou o líder madeirense sem ter em conta a delicadeza que isso pode representar. Tal como foi já dito, é o primeiro rombo na coligação e na cordialidade que deve imperar entre os dois partidos ao nível dos seus dirigentes máximos. Mas Portas não é de fiar. É daquelas pessoas a quem eu nunca compraria um carro em segunda mão. Na primeira oportunidade morde e espalha o seu veneno. Passos Coelho que se cuide ou então que mostre ao líder do CDS que só foi para o governo porque o PSD assim quis.

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