sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Isaltino e a teoria da maça podre

Quando o João Moutinho abandonou o Sporting para jogar no Porto, alegou que queria ganhar títulos e essa expectativa no clube de Alvalade era uma espécie de encontrar água fresca no deserto. Ou seja, podia até acontecer mas era muito difícil.
O presidente leonino na altura catalogou Moutinho de maça podre. Como toda a gente sabe, quando temos um fruto podre na fruteira em contacto com os que estão saudáveis, estes ficam contaminados. Sendo assim, havia um risco que não podia ser corrido para salvaguardar o restante plantel. Neste caso seria a debandada generalizada.
Ora o que se passa com Isaltino Morais é sensivelmente o mesmo com um porém: Moutinho não era uma maça podre, muito pelo contrário, era o melhor jogador do plantel e capitão de equipa. Já Isaltino viu vários tribunais darem como provados os crimes praticados. Ou seja, há ali um pico de actividade bacteriológica que provoca a decomposição dos tecidos celulares.
Isso faz de todos os autarcas deste país políticos corruptos? Não, claramente não.
Os presidentes de câmara e os vereadores, são dos políticos eleitos pelo povo os mais sacrificados na sua imagem pública e na minha opinião, esse é um epíteto injusto. Não é uma árvore que faz a floresta, nem uma maçã podre pode contaminar aquelas que não estão em contacto consigo.
Dito isto, considero que a imagem pública de gente que no dia a dia trabalha para benefício da comunidade como são a esmagadora maioria dos autarcas deste país, não pode ficar manchada por um colega que recebia envelopes com dinheiro a troco de licenciamentos urbanísticos, branqueava capitais ou fugia ao Fisco, segundo o Tribunal de Oeiras.
Também não é aceitável que a pretexto da obra que fez no seu concelho durante muitos anos, possa agora haver alguma benevolência da justiça ou da opinião pública perante o delito. Um autarca só o é porque tem essa vontade. Ninguém é obrigado a sê-lo. Se o é tem de dar o seu melhor, com regras claras, empenho, espírito de sacrifício e dentro da mais absoluta legalidade. Não há outra forma de ser um bom autarca.
Fazer muita obra e ao mesmo tempo receber por fora, não faz dele um exemplo a seguir.
Assim sendo, e embora o populismo que se faz à volta destes casos seja demasiadamente corrosivo, é preciso salvaguardar a imagem dos autarcas deste país. Este processo é aliás um sinal para aqueles que são aspirantes a prevaricadores. A Justiça em Portugal é muito lenta mas às vezes acerta. E neste caso parece que assim aconteceu. Como tal fica o aviso para aqueles que acham que as suas funções públicas lhe permitem actuar à margem da lei. Não permitem. É verdade que alguns passam por entre as pingas da chuva. Mas um dia molham-se.
Isaltino entretanto já foi solto porque a decisão da sentença ainda não transitou em julgado e sendo assim continua a presumir-se a sua inocência. Presumo que seja uma questão de tempo.

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