terça-feira, 20 de setembro de 2011

A muitos Passos distante da Madeira

Pedro Passos Coelho, enquanto presidente do PSD não deve participar em qualquer acto de campanha eleitoral na Madeira, sob pena de perder o respeito dos cidadãos, nomeadamente os continentais, a quem pediu sacrifícios no sentido de ajudar a equilibrar as contas públicas.
Tal como Miguel Sousa Tavares escrevia no Expresso este fim de semana, que a escolha que os madeirenses têm para fazer nas próximas eleições regionais é entre Alberto João Jardim ou Portugal, eu também acho que Passos Coelho tem de escolher entre a credibilidade da sua governação ou a conveniência partidária. E como Francisco Sá Carneiro sempre disse, primeiro está o país e a democracia só depois está o partido.
Eu não alinho gratuitamente no coro dos críticos a Jardim. Acho que ele foi o homem que colocou a Madeira no mapa, deu-lhe o aspecto e as condições que ela tem hoje e venceu sempre de forma inequívoca todas as eleições livres e democráticas que se disputaram no arquipélago. Mas tudo tem um limite e o mérito não pode ser conseguido à custa do falsear das regras do jogo, nem muito menos do despejar de dinheiro como se só o céu fosse o limite. O esconder as contas públicas da região, seja com maior ou menor intenção, e agora é fácil dizer que não havia intenção, constitui uma falta de grande gravidade que após descoberta constitui um problema não só para os insulares, mas também para o resto dos portugueses.
Talvez esteja na hora de dizer basta. Que o esforço nacional não termina nas falésias da Costa Vicentina. Atravessa umas largas milhas marítimas de oceano para alcançar o território das ilhas da Madeira e do Porto Santo. Ter uma torneira a drenar, sem parar, fundos financeiros para a região, obriga a que falte nalgum lado. E como é óbvio, a solidariedade é uma estrada com dois sentidos: um para lá e outro para cá.
Acresce o facto de ser necessário explicar também ao líder da Madeira, que o constante discurso de insulto ao continente, e não o faz apenas aos socialistas e à maçonaria, tem limites. Alberto João pode até ser uma excelente pessoa, mas aqui no continente o que não faltam são igualmente excelentes pessoas que não têm de ser insultadas cada vez que abra a boca porque não lhe fazem a vontade.
Voltando à questão do líder do PSD nacional e primeiro-ministro, a linha chegou ao fim. Que sejam os madeirenses a decidir o seu destino e que a partir de agora as regras sejam para todos e os sacrifícios também. À volta de Jardim há uma classe política que não é toda má mas alguma é verdadeiramente deprimente. Há um tal de Jaime Ramos que não fosse o líder regional, jamais teria condições de desempenhar um cargo público da dignidade de deputado à assembleia regional, pela simples razão que a política faz-se a partir do mérito das ideias e do comportamento cívico dos políticos e não do tom dos insultos.
Passos Coelho deve portanto manter-se afastado da purga eleitoral se quiser continuar a ser levado a sério no continente.
Quanto a nós cubanos, social-democratas ou outros, apenas nos resta assistir ao resultado das eleições e respeitar o seu desfecho, seja ele qual for. Mas se não for pedir muito, não nos sobrecarreguem mais a carga fiscal para pagar a batota dos outros.

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