terça-feira, 7 de junho de 2011

Bloco no fundo

O Bloco de Esquerda é um fenómeno político com os dias contados, se não tomar algumas previdências. Nasceu da génese de três partidos, nunca querendo afirmar-se como o resultado do somatório dos três. Tem um líder que não se identifica como tal preferindo o termo pomposo de coordenador. Desde o seu aparecimento, o Bloco teve sempre os mesmos rostos: Francisco Louçã, Luis Fazenda e Miguel Portas. Porque são todos feios, compuseram o ramalhete com a Ana Drago que é mais engraçadinha. De resto não se lhes conhece mais ninguém que possa ser identificado como rosto do Bloco.
O seu principal coordenador, Louçã, é o estereótipo do político demagogo até à raiz dos cabelos. Usa o verbo fácil, a expressão colérica e o aproveitamento excessivo do protesto e do contra poder para passar a sua mensagem. Às vezes quando o ouço fico com a ideia que quer bater nas pessoas, tal é a agressividade com que fala. Louçã gosta de fazer esse teatro em que quem não está com ele está contra ele. A forma como carrega na letra r para enfatizar as palavras que a contêm, revela-o mais como uma destilaria de ódio do que propriamente um político sensato a falar.
Depois tem coisas que são de uma incongruência muito grande. Afirma-se como não sendo igual aos outros políticos mas tem todos os tiques, para pior. No domingo à noite, depois de ter sido cabalmente derrotado por sua única responsabilidade, não fez aquilo que os políticos responsáveis costumam fazer quando perdem metade dos votos em relação à eleição anterior: demitir-se. Lembram-se das rábulas que fez sobre os políticos manhosos? Pois é, pergunta o roto ao nú porque não te vestes tu.
Neste capítulo, Sócrates teve muito mais dignidade e interpretou com clareza os sinais que vinham das urnas de voto. O seu tempo, por agora, tinha chegado ao fim. O de Louçã também, mas ele ainda não percebeu.
Na realidade o coordenador do Bloco está agarrado ao poder, que é um dos defeitos que normalmente aponta aos outros. Lembre-se o que disse tantas e tantas vezes de Sócrates ou mesmo de Santana Lopes, dois líderes que perante o cenário de derrotas afastaram-se pelos próprios meios, e chegará a boas conclusões. Louçã merece que os seus camaradas lhe dêem um pontapé no traseiro, mandando-o pregar para outra freguesia.
Em relação às causas do resultado do Bloco, o mesmo só surpreende quem anda distraído. O apoio a Alegre nas presidenciais foi o começo das trapalhadas dos bloquistas. Ninguém entendia, porque era anedótico, que os deputados e dirigentes do Bloco andassem de mãos dadas com o PS numa altura em que os sinais da crise política que se adivinhava já eram bastante visíveis. O Bloco criticava o PS e o Governo durante o dia, mas à noite partilhava a assistência e o palco dos comícios de Alegre. Mais do que isso, o Bloco foi a primeira força política a apoiar publicamente o candidato derrotado nas presidenciais, até como forma de forçar o PS a tomar uma decisão. Estratégia errada e nefasta. Ainda bem que o fizeram.
Depois protagonizaram aquele número estranho que foi apresentar uma moção de censura ao Governo, pedindo ao PSD e ao CDS que não votassem a favor. Ou seja apresentava a moção mas não queriam a sua aprovação. O Batatoon não faria melhor.
Por fim o Bloco decidiu, tal como o PCP, colocar-se à margem da solução de financiamento externo, não reunindo com os elementos da troika. Ou seja, preferiu cavalgar a onda do problema que estava criado em Portugal pelo PS e pelo Governo, julgando que retiraria benefício político da questão. Só que a questão era e é mesmo grave e os portugueses perceberam que no gesto dos bloquistas não havia sentido de responsabilidade, mas sim uma certa vocação pela política da terra queimada e do quanto pior melhor. Em tempos de emergência, estas coisas não se perdoam.
E agora? Agora que vão ao fundo com roupa e tudo e paguem pela incoerência do seu líder. Que tentem assemelhar-se ao funcionamento democrático dos outros partidos onde há militantes, eleições livres e diversas candidaturas. Que deixem de ser o partido das causas fracturantes e dos assuntos que só servem para acrescentar páginas aos jornais e passem a olhar com outros olhos para os problemas das pessoas. Que em vez de andarem aos gritos contra quem cria riqueza e postos de trabalho em Portugal, percebam que o mundo mudou e não é mais uma cooperativa de produção colectiva. Que de vez em quando estejam do lado da solução em vez de permanecerem teimosamente e sempre do lado do problema. E já agora, mandem o coordenador embora e arranjem um líder, que seja escolhido por voto secreto em eleições directas. Ter sempre a mesma pessoa à frente do partido já não se usa. Até em Cuba já mudaram para o irmão de Fidel. Só na Coreia do Norte é que o Bloco de Esquerda encontra exemplo de permanência ad eterno no poder.
Tratem-se, antes que os portugueses os tratem em definitivo ou então vão divertir-se para a Coreia.

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