quarta-feira, 15 de junho de 2011

Os boys do Portugalex

Hoje o Portugalex, a rubrica humorística que há cinco anos faz rir os ouvintes matinais da Antena 1, brincava com os “boys” do PS que vão ficar desempregados em breve. Na rábula era feita a descrição de uma fila deles à porta do Banco Alimentar Contra a Fome e nem faltou a sua líder, a brincar naturalmente, Isabel Jonet a informar que em breve iam fazer uma campanha apenas dedicada aos socialistas despedidos, onde só eram admitidos produtos gourmet.
Isto não passa de uma brincadeira para caricaturar todos aqueles que vivem à custa do sistema e que para além dele não possuem uma profissão e em muitos casos nem um saber fazer. Toda a vida foram qualquer coisa através do partido e nunca tiveram uma profissão fora da política. No dia em que a coisa corre mal, ficam desamparados.
Por isso considero que uma das condições para exercer-se a actividade política é ter uma profissão fora dela. Dá uma independência e uma autonomia maior à pessoa e não a obriga a violar a consciência, as que a têm, para lá do aceitável. Sim, porque o exercício da actividade política pressupõe, várias vezes, escolher entre a coerência ou a disciplina. Quem diz o contrário está a mentir. E no melhor pano têm caído nódoas. Exemplos não faltam.
Em Portugal é assim e no resto da Europa não é diferente. Á volta dos partidos há os profissionais da política que tanto se encaixam em cargos de assessoria ou similares nas Pescas, como no Ambiente, nas Obras Públicas ou na Justiça. Umas vezes são “especialistas” em Turismo e noutras em Segurança Social. Se for necessário fazem uma perninha no Emprego e no ano seguinte na Administração Interna. Saltam de um organismo do Estado para o outro sem qualquer ligação ou semelhança. Não há um fio condutor. O único factor de escolha é serem do partido e a conveniência dos próprios.
Para estes quando chega a hora da mudança, é uma tragédia. Por isso agarram-se que nem lapas aos lugares e só saem quando os mandam embora. Não têm a dignidade de sair no dia seguinte à mudança, colocando o lugar à disposição. Ficam à espera até ao último segundo pela mais do que óbvia vassourada.
Por isso ter uma profissão, seja qual for a remuneração ou reconhecimento social, é um descanso. Mudar não custa. O que custa é não ter para onde mudar.
Ser um profissional honesto, competente e respeitado devia ser condição sine qua non para alguém um dia poder exercer um cargo público. E tão honesto, competente e respeitado é um varredor de ruas como um engenheiro que projecta pontes ou um médico que salva vidas. Qualquer um deles tem o direito de um dia exercer a actividade política. E quando tiverem de mudar, terão sempre um ponto de chegada.

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