terça-feira, 28 de junho de 2011

Seguro contra nenhum risco

O assunto não me diz respeito mas eu dou a minha opinião na mesma a qual é na base da suposição e do gozo.

Se eu fosse do PS gostava que Francisco Assis ganhasse as eleições para secretário-geral. Como não sou, quero que ganhe António José Seguro.

Em todo o caso, e para que fique bem claro, qualquer um dos dois tem hipóteses de chegar a primeiro-ministro se chegar a líder do PS, independentemente das qualidades próprias. Basta para isso que Pedro Passos Coelho e o seu governo desatem a fazer disparates. Já tenho provas suficientes para concluir que em política o Poder não se conquista: perde-se.

Centrando na questão do próximo secretário-geral, a minha opinião é que Assis é mais qualificado, mais político, mais perspicaz, mais sensato e quando fala percebe-se que há um fio condutor, um raciocínio e sobretudo ideias. No entanto não domina o aparelho, bem pelo contrário. É talvez até um exemplo da lógica antagónica do funcionamento aparelhístico do PS que durante muito tempo conviveu num silêncio ensurdecedor com as diatribes de Fátima Felgueiras, que Assis enfrentou e na pele sofreu o atrevimento do acto. Este é talvez o melhor exemplo.

Seguro em matéria de ideias e de pensamento político é mais árido que o deserto do Saara. No entanto é mais próximo dos militantes e dos, muitos, caciques socialistas. Fez a escola da jota, saltou para o partido, andou pelo governo, abancou no parlamento e nos últimos tempos conspirou pacientemente contra o agora politicamente defunto José Sócrates. Mais do que isso, surfou a onda da derrota socrática com um exercício de acrobacia dentro de um elevador do Altis, onde subiu solidário para dar um abraço ao derrotado e desceu para se apresentar aos holofotes da ribalta, qual abutre a devorar a presa que jaz morta e apodrece. Oportuno ou oportunista, caberá a cada militante do PS decidir. Mas não terá sido por acaso que António Costa disse não o conhecer, sabendo quem é de ginjeira. Deixa-se à imaginação de cada um o sentido da frase.

Julgo no entanto que, independentemente da escolha, e desconfio que a mesma acostará em porto Seguro, dos próximos quatro anos de mingua na oposição ninguém os livra. Passos Coelho não é Santana Lopes que arranjou mil maneiras de ser posto fora do barco, se bem que quem veio a seguir – Sócrates – fez dele um menino de coro, nem é Durão Barroso que na primeira dificuldade fugiu para o el dorado europeu. O actual primeiro-ministro é feito de outra fibra. Tem outra determinação e outra palavra. É homem para aguentar a tormenta, sem deixar o leme, com aquela calma olímpica que lhe é reconhecida. Pelo menos é esta a ideia que tenho dele nos dias que correm.

Sendo assim ao PS resta-lhe esperar e para o efeito tanto faz que seja Assis ou Seguro. O estilo porventura não será igual. Segundo consta há mesmo uma relação de amizade entre Passos e Seguro que pode nalgum momento de maior dificuldade pesar para o lado do entendimento. Mas disso não estou 100% certo. Tudo dependerá da forma como as coisas estiverem quando o verniz estalar. Porque uma coisa é certa, com troika ou sem ela, com mais ou menos cooperação institucional ou magistratura activa de Belém, os próximos quatro anos são muito duros para Portugal e para os portugueses. A rua, a determinada altura, vai endurecer o tom da conversa e não será de estranhar novos movimentos de contestação daqueles que desesperados ou apenas interessados em agitar, se manifestarão ruidosamente.

Seguro ou Assis lá estarão no meio da rua a aproveitar as labaredas dos sound-bytes e da insatisfação como se o estado a que Portugal chegou não tivesse, nomeadamente, o dedinho dos dois. Dedinhos? Mãos completas, braços e antebraços.

Os dois apoiaram de modo mais ou menos eloquente as políticas socráticas que conduziram o país à beira do abismo. Seguro pode até dizer que chamou a atenção para alguns aspectos. Puro oportunismo de circunstância. Ele nunca teve preocupações de Estado nem de outra natureza que não fosse o seu posicionamento para o pós-Sócrates. Só quem ainda não perdeu a virgindade da política pura e dura acredita na benevolência e nos bons propósitos de Seguro.

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