quinta-feira, 16 de junho de 2011

Dirigentes pequenos num clube grande

Nos meus quase 40 anos de benfiquista – já nasci com este privilégio imenso – e a partir do momento em que ganhei consciência própria para interpretar o que está à minha volta, habituei-me a ver o meu clube a ser grato aos que melhor o serviram. Podendo haver um caso ou outro que não correu bem, a verdade é que as principais glórias do Benfica sempre foram reconhecidas por isso no momento em que a idade e as circunstâncias os impediram de prestações adequadas às exigências da equipa profissional de futebol.
Ao ver hoje como estão a tratar Nuno Gomes, que foi só um dos jogadores que mais golos marcou com a camisola do clube, fico com a ideia que por aqueles lados a lógica mercenária é cada vez mais um padrão de gestão técnica do plantel. Na dispensa deste jogador há claramente uma mão: a de Jorge Jesus. Mas há também uma ausência ou uma falta de comparência naquilo que é a defesa do brio e sobretudo do dever de gratidão do clube e aqui cabe a direcção e o seu presidente.
A não renovação do contrato do jogador Nuno Gomes por mais um ano, permitindo-lhe fazer uma última temporada e despedir-se com dignidade dos sócios e adeptos, é uma facada nas costas da grande nação benfiquista. Ao contrário do que alguns podem fazer crer, nem se tratava de um acto de caridade. Essa andou o Benfica a fazer estes anos todos com o Pedro Mantorras, infelizmente, uma vez que se perdeu também um grande jogador cheio de potencial. Nuno Gomes passou a temporada toda sentado no banco de suplentes e das poucas vezes que foi chamado ao serviço, cumpriu com dignidade e competência. O capitão do Benfica, que recentemente teve o infortúnio de perder o pai, foi sempre de uma entrega irrepreensível, tendo no fim da temporada sofrido uma lesão com gravidade o que o obrigou a uma intervenção cirúrgica. Ainda assim não baixou os braços e desejava continuar a servir o clube.
Se olharmos para as opções de Jorge Jesus este ano que passou, sempre que Cardozo não podia jogar ou por opção era poupado, Jorge Jesus insistia em colocar um tipo brasileiro com o nome do percursor da doutrina espírita: Alain Kardec. Pois nem todos os espíritos do além serviram para inspirar este jogador que no Portimonense ou na Naval 1º de Maio era capaz de ter alguma utilidade, mas num clube que defendia o título de campeão da Super Liga, disputou a Champions e depois a Liga Europa, não tinha qualquer enquadramento. O resultado é aquele que se sabe.
Mas um dia os responsáveis do Sport Lisboa e Benfica vão perceber o erro que agora estão a cometer, porque são benfiquistas e o serão a vida toda. Já o actual treinador, talvez seja possível um dia o ver fazer troça deste episódio, rodeado de elementos da Juventude Leonina. O tempo o dirá.

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